quarta-feira, 11 de abril de 2012

INCREDULIDADE

Krretta
hcarretta@yahoo.com.br

A família brasileira está incrédula, o povo brasileiro ímpio ante o fato descerrado na Corte em Brasília, quando o considerado arauto da moralidade caiu em descrédito frente a sua parceria com o contraventor Carlinhos Cachoeira, senador Demóstenes Torres (ex-Dem-GO).
Percorrendo as folhas dos jornais, todos, sem exceção, dedicam ainda páginas e páginas com comentários sobre o fato e, o que me levou a estar aqui, também escrevendo sobre o mesmo assunto é que, em certo veículo de comunicação, em quatro páginas seguidas, em colunas e comentários diferentes, mais de seis vezes, o defensor acérrimo da ética é citado.
Foi e continua sendo uma das mais propaladas quedas de que já se ouviu falar no Paço Governamental, na Capital Federal, por enquanto...
E por que, por enquanto?
Porque já estamos nos acostumando a cada dia ver, ouvir, ler as mais dignas autoridades políticas, assim ditas em épocas outras, caírem suas máscaras intocáveis, e, ao público, serem expostas suas mais fétidas ações, sejam elas do tipo que forem.
Querem ver?
“Por que nos arrepiamos só agora, se o Senado, há tempos, é um dos núcleos do horror da vida pública?
Lembram-se dos atos de ACM, Jáder Barbalho ou Renan Calheiros?
O mais grave no escândalo de agora é a descoberta do fingimento. Um lugar reservado (em teoria) às grandes figuras da política surge como algo muito próximo à gazua com que a bandidagem abre o cofre alheio. Se Demóstenes Torres não era o que aparentava ser, se apenas fingia, quantos outros não estarão, até hoje, simulando cínica honestidade para encobrir o delito sorrateiro? “Flávio Tavares – Jornalista e escritor – Coluna Zero Hora – 08.04.2012
Para que o leitor e a leitora venham a saber, se já não sabem, dos 63 membros dos conselhos de Ética do Senado e da Câmara dos Deputados, pelo menos 20 respondem a inquéritos no Supremo Tribunal, por crimes contra a administração pública, corrupção ou fraude à Previdência Social.
Como é que ainda vamos acreditar em políticos? Sejam quem forem, que nome tenham, onde estão, numa boa, não dá mais! Já lhes falta, há muito tempo: CREDIBILIDADE.
Ah, e ainda mais, é preciso que se esclareça, bastando para isso apenas se inteirar de leis, se sobrar tempo ao cidadão comum, caso contrário é nossa obrigação também informa-los, de que tais regras estão cada vez mais mitigas, mais brandas, mais suaves com quem merece rigor.
É caótica a vida política brasileira e seus atores.
Marcos Rolim, também jornalista e em sua coluna de Zero Hora, diz o seguinte: “... a política no Brasil é um caso perdido; a má política aqui praticada se sustenta só em três grandes pilares: a) os favores prestados pelos governantes e parlamentares aos eleitores e ao poder econômico – fenômenos do clientelismo político e da representação obscura de interesses privados; b) o financiamento privado das campanhas eleitorais e, c) a ocupação da máquina de Estado por indicações dos partidos da base aliada, o que mentirosamente chamam-na de “governabilidade”.
Muito disso também é nossa culpa, nossa máxima culpa, ou seja, por um lado a nossa maneira de escolher os candidatos, e, por que não “curriculum vitae”, pois se ele nos exigem em qualquer ínfimo emprego?
A outra está em não ocuparmos nossos espaços, omitir-nos na política, não participar ativamente e postular sim, cargos, no intuito de banir as más intenções, acanhar propósitos escusos, exterminar por vez o profissionalismo político, corrupto, devasso, oxidado nas entranhas do poder de se valer cada vez mais da nossa omissão, para se locupletarem sem percalços ou sobressaltos.
Eleições se avizinham e, muitos devem colocar “suas barbas de molho”...
Eleitores: Tomem tenência!!!!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O CREPÚSCULO DE UMA CLASSE

Krretta
hcarretta@yahoo.com.br

Não há mais nada o que dizer.
Quando um ministro de estado entende que se deva cumprir, em todos os estados da Federação, o piso básico de remuneração de uma categoria, e, ajuda a promulgar a lei para que se cumpra, nada mais se espera do que realmente se cumpra a determinada lei, não é verdade?
Não, não é verdade!
Então, vem à campanha eleitoral para eleição dos governadores de estado, e, lá está aquele ex-ministro, o mesmo que ajudou a sancionar a lei do piso básico de certa categoria, e, afirma que se eleito fosse, faria cumprir esta determinada lei, como compromisso de campanha, e o que se espera?
Que seja cumprida a promessa de campanha, não é verdade?
Não, não é verdade!
Tenho saudades dos bancos escolares, da tenra idade estudantil, do Grupo Escolar Silveira Martins, principalmente das professoras, dedicadas, solícitas, impregnadas de novos horizontes, cheias de boa vontade, incutidas de grandes sabedorias, e, que, pacientemente nos trouxeram a alfabetização e o aprendizado, desde aquela época, até quando escrevo estas linhas, que por elas me foram adestradas.
Se hoje o prezado leitor, a prezada leitora consegue ler este texto, é porque também frequentou os bancos escolares, é porque também esteve na fonte de ensino de uma professora, talvez de um professor, não seria diferente o indício da vocação de transmitir conhecimentos os catedráticos.
Talvez fossem tempos diferentes, talvez houvesse mais reconhecimento, talvez houvesse mais carinho, talvez houvesse mais respeito e inegável gratidão ao magistério, não sei, mas o que sei me basta para admirar e, sempre agradecer aos professores o que hoje posso fazer, mesmo o trivial, que é ler e escrever.
Nada hoje é mais verdade que durante ao longo dos anos depauperaram a classe do professorado, e, como se não bastasse, num desespero da sociedade que pede socorro quanto à educação de seus filhos, basicamente transferiram aos poucos esta tarefa para as salas de aula, onerando ainda mais a responsabilidade moral dos abnegados ensinadores, sem lhes darem guarida, tanto monetária, quanto logisticamente.
Reclamar a quem, se a quem de direito lhes dá as costas, e, nem a lei será cumprida com o pagamento do piso salarial nacional?
Os que antes apoiavam o magistério são os que hoje lhes negam abrigo aos rigores da lei e, os que ontem lhes negaram melhores condições de vida, hoje, agarram-se desesperados a corda da crítica, defendendo não somente o professorado, como também querendo as migalhas de alguns possíveis votos.
Infelizmente, usurpam da classe como massa de manobra.
Até mesmo o seu próprio sindicato, ou melhor, os ocupantes de cargos dentro deste mesmo sindicato, usaram-no como trampolim político, isso é público e é notório, para mais adiante locupletarem-se nas entrâncias do poder, esquecendo-se totalmente de suas origens sindicalistas e, viraram as costas aos catedráticos.
Senti de perto a emoção dos professores quando o assunto em pauta dava conta de mais uma batalha perdida na longa luta do magistério, vi lágrimas de vergonha, de tristeza, de impotência em face de mais uma derrota, mas vi, também, a honradez, a fibra, a lucidez de seus compromissos como educadores, o que já há muito tempo não é mais uma profissão, mas uma vibrante e verdadeira vocação, qual não seja o de apenas e tão somente ensinar, mesmo os que hoje lhes negam dignidade.
Tenho dito.

LER : EIS A QUESTÃO

Krretta
hcarretta@yahoo.com.br

A notícia: terceira edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope, feito com 5 mil pessoas em 315 municípios do país, dá conta de que de 2007 para cá, o índice de leitura caiu de 4,7 livros por pessoa para quatro títulos, ao ano.
O número de leitores caiu de 95,6 milhões há cinco anos para 88,2 milhões no ano passado, quando a população cresceu 2,9%.
O comentário: mesmo que este assunto já tenha sido tratado aqui nesta coluna, por mais de uma vez, nada nos custa voltarmos ao tema, uma vez que ele é empolgante, face à leitura ser um dos caminhos mais curtos para a sapiência, ao mesmo tempo em que é cada vez menos acessível a quem tem vontade de ler.
Muito embora o analfabetismo tenha decrescido no território nacional, vez que os governos, morosamente, dão-se conta do absurdo que cometem, pelos valores investidos na educação e, pelos repasses que mesmo feitos, consomem-se por entre corredores das casas executivas investidos em naus descontroladas, muito embora os avisos da meteorologia administrativa, quando as possuem e são idôneas, ainda assim, pode-se afirmar que a luta contra o analfabetismo, continua.
Pois bem, então por que os brasileiros estão lendo menos, ou melhor, diminuíram o consumo de livros, e, pela tendência, vemos o gráfico cada vez mais apresentar-se negativo?
A bem da verdade sente-se um desapreço dos brasileiros a leitura tradicional.
Muito, também, se deve ao largo consumismo de informações junto às redes sociais, isto é um fato, e, dele não podemos nos afastar, por ser real e pertencer, seguramente ao nosso dia-a-dia, o que não quer dizer qualidade e suficiência para uma possível transformação na vida de cada praticante virtual.
É preciso que se estabeleça a importância da leitura na vida de cada um, principalmente como fator de transformação, de entendimento, de descobertas, enfim, o fato de ler faz com que haja uma maior interação entre pensamentos e verdades das coisas que nos cercam e, também, daquilo que consideramos desconhecido, pois está nas palavras, e, não na decifração de signos, a interpretação dos fatos.
Pois com toda a retórica, também dissemos de uma eloquência robusta, nada poderia afastar-nos de uma boa leitura, de um bom livro, de um resumo crítico e, de autores admirados, pois, ainda assim estamos bastante longe da tão propalada cultura que sempre gostaríamos de ter.
Voltamos para a mesma tecla, voltamos para o mesmo ponto de partida, voltamos para o princípio de tudo, qual não seja de que os livros continuam caros o suficiente para que não tenhamos acesso a tão desejada cultura e, portanto, as pesquisas não poderiam dizer outra coisa se não, o que retratam.
No entanto poderia haver contrapartida em vista do que oferecem as bibliotecas, todavia e em primeiro lugar não temos o costume de frequentar tal ambiente, segundo de que infelizmente, e, muito embora o governo tente muni-las, em sua maioria estão desatualizadas quanto às obras recentes e, que, são atrativas aos olhos ávidos dos leitores e, por fim, nada melhor que ter um livro a sua disposição para ler ao tempo que puder e quiser, sem tempo estipulado para a sua devolução, não é verdade?
Não podemos dizer que os brasileiros são desinteressados pela leitura, enquanto não for proporcionado ao povo livros com preços acessíveis a realidade do salário nacional, pois é extamente assim que não existe o incentivo necessário para que todos possamos usufruir desta transformação e capacitação para entender o mundo.
FELIZ PÁSCOA A TODOS!!! (com um bom livro)