NÃO ME PERTENCE MAIS...
Beto Carretta
Lá vem, de novo, o título de duas ou três crônicas atrás, “Cadum, Cadum”... acho que nunca mais vou ter, ou melhor, criar uma expressão tão envolvente, abrangente, como um grande amplexo.
Ela, a expressão (Cadum, Cadum...), fala muito de todas as coisas e pessoas, se é que é possível atingir tal compreensão, e, se você leu aquela crônica lá atrás, vai entender perfeitamente, caso contrário, procure-a, para saber o que “Cadum, Cadum”, quer manifestar, quer dizer.
Pois Cadum, Cadum...
Por exemplo: está aí as festas de Momo...ah, como eram maravilhosas...blocos, escolas de samba, casa das rainhas, desfiles, salão dos clubes, alegria, descontração, felicidade e, ainda mais os penduricalhos (vocábulo atualmente bastante proferido pela classe política e jornalistas...).
Contudo e por mim eu confesso, veja lá, cadum, cadum... com o tempo, fomos nos afastando de muitas coisas...festas, eventos, multidões.
Alguns...não foram todos... pois que cadum, cadum, e, é bom que se saiba que ainda existe por aí, como uma turma de um grande amigo meu, chamada de “Inimigos do Fim”.
Decididamente eles são Inimigos do Fim, pois só encerram as suas participações quando o fim termina...vai entender...ora, o fim termina...
Vejam só que maravilhosa expressão: Inimigos do Fim!
Quem olha de fora, ou até mesmo os Inimigos do Fim, podem estar concluindo de que, quem é amigo do “vá, mas não me convide” perdeu o brilho, perdeu a vontade, de que perdemos o “pique”, e, até que podem ter razão, mas não é bem isso.
Ao invés de nós perdermos a vontade, o brilho, etc., e tal, não perdemos, a bem da verdade nós aprendemos, com o passar dos tempos, a escolher os nossos momentos.
Nem todas as festas são imperdíveis, até mesmo o carnaval. Não precisamos estar em todos os lugares, sorrir o tempo todo, até mesmo estar inseridos onde nem sempre “ainda”somos bem-vindos.
Adequados onde já não mais cabemos.
Volto a dizer: cadum, cadum...
Não precisamos, ou melhor, não queremos mais forçar a barra, onde o coração já não pulsa e a felicidade, como a paz, habitam outros espaços, que aprendemos, em primeiro lugar a encontrar, e, depois a habitar.
Daí, a certeza em afirmar, com o frescor da paz que, provavelmente antes não existia, e, hoje, na integridade de quem é sincero e honesto, dizer com todas as letras: isso não mais me pertence, não é mais para mim.
Podem concluir que aí tem tristeza, tem abandono, tem total desânimo, mas, não é nada disso.
Acreditem, é um grande conforto, um alívio, uma suavização da vida em poder escolher a paz sem precisar provar mais nada.
Festas, eventos, multidões, agitações rumorosas...não mais me pertencem...
O tempo passa e as pessoas mudam (provérbio local).
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