terça-feira, 7 de abril de 2026



Deixa uma de “indeis”...

 

                                                                                     Beto Carretta

 

         “Indeis”, estava concebida nas minhas anotações: tenho que descobrir de onde saiu esta expressão.

         “Indeis”!

         Conheci-a nesta terra abençoada, de Encruzilhada do Sul, quando as pessoas falavam-na.

- Vou deixar aí, de “indeis”.

         Não foi difícil entender o seu significado, pois que as atitudes de onde originavam esta expressão, eram bastante claras e objetivas.

- Fica de “indeis”!

         Contudo, ao procurar o seu significado, a sua origem, de onde saiu, de onde veio e como veio, devo dizer a vocês que foi bastante difícil.

         Aliás, devo dizer, ou melhor, aqui escrever, de que o significado de “indeis”, não estou absolutamente convencido de sua natureza.

         Até mesmo a IA não conseguiu decifrar, sempre dizendo que a palavra é um erro ortográfico e que não é possível encontrá-la.

         Não me dei por satisfeito.

         E, então, dentre as pesquisas, encontrei, talvez, a que mais se aproxima de seu significado e com a grafia “endeis”, do verbo “endear”.

         Fui direto no dicionário da língua portuguesa e, pasmem, lá não existe o verbo “endear”.

         Como assim, não existe?

         Pois é, não existe porque são registros antigos, arcaicos e, como todos nós sabemos, as palavras possuem vida, nascem, crescem e morrem, talvez aí esteja o seu desaparecimento.

         Vamos ao que interessa, vamos ao Google:

Com base em registros antigos de adágios e provérbios da língua portuguesa, a palavra endeis (forma conjugada do verbo endear - colocar em uma grade, cercar, ou do verbo endeusar, dependendo do contexto arcaico) aparece em provérbios relacionados a abelhas, ovelhas e economia rural. “

         Voltando-se ao homem do campo, ao interior do RGS, às nossas origens, sabe-se que as ovelhas precisam de muitos cuidados e um deles é encerrá-las à noite, por causa dos predadores

            Cuidados específicos que, normalmente, elas, as ovelhas, ficam em um curral, protegidas por cercas de arames.

         Então, o termo “endeis”, pende, neste contexto antigo, como proteção a criação, para que procriem, sendo protegidas.

         Vejamos: estamos numa roda de amigos e alguém oferece balas de um pacote...todos se servem e, restam apenas duas balas, quando o último vai se “lambuzar”, então ele diz:

- Vou pegar uma bala e a outra, vamos deixar de “endeis”.

         Para quê? Para que se procrie (as balas) e tenham muitas outras logo ali na frente.

         Ou seja, a última bala que ficou dentro do pacote, o “endeis”, não deixa de ser a “ovelha madrinha”...a ovelha que chama as outras.

         Balas haverão de se procriarem no pacote...são os adágios populares, crendices, estórias...é a maravilha dos folclores regionais.

         Seria isso mesmo?

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MISCELÂNEA

Esta crônica contém informação e opinião.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

                          


        

                                      Princípios e valores

 

                                                Beto Carretta

 

 

Li uma frase, nas redes sociais dia desses, que muito me impactou.

Jamais e em tempo algum, uma verdade como essa, me levou tão rapidamente à mesa e aos guarda-roupas da minha casa, lá pelos anos 70.

Sei lá porque cargas d’água, me joga a memória para justamente um apartamento que moramos, na Rua Hipólito Ribeiro, na minha querida e inesquecível Bagé.

Lembro que, no inverno, nosso apartamento era maravilhoso, pois os fornos da padaria embaixo, aqueciam-no, contudo, no verão, vocês já podem imaginar.

Naquela época, ainda não haviam, presumo, os fornos elétricos, ao passo que a panificadora essa, se utilizava de fornos à lenha.

Tenho em mente todas as peças dele, sendo que a escrivaninha de meu pai, situava-se numa extensa sala de visitas, onde em sua bancada existia um planner.

Ele era dado as frases, filosofias, dizeres, de filósofos, pensadores, adágios populares e, dentre uma delas, a que estava, sozinha, em destaque no seu planner, dizia assim: Quanto mais largas vastidões abrange o saber, tanto mais razão de serem modestos os seus cultores"  - de autoria de Rui Barbosa. 

Nunca mais a esqueci.

Mas, essa não é a frase que me trouxe até aqui, para conversar com vocês.

Contudo, a frase das redes sociais, o apartamento lá de Bagé, o planner na bancada da escrivaninha do seu Carretta, esta citação e a mesa e os armários, me levam pela brisa das saudades e das lembranças da minha terra, aos meus pais e aos valores e princípios que eles, sabiamente, nos ensinaram.

Verdadeiros valores e princípios são aqueles que aprendemos em tenra idade, doados magistralmente por nossos pais, que, independente do contexto de vida, souberam transmitir.

E, nós, a aprender, muito embora as dificuldades que existiam, todavia, na educação, o aprendizado da responsabilidade e, principalmente da honestidade.

Esta é a grande herança que nos foi presenteada e que, tenho a plena certeza de que a seguimos, sem vacilar e sem deixar de apregoa-los em todos os dias das nossas existências, eu e meus irmãos.

Sinto-me totalmente satisfeito, pois que a minha vida valeu por tudo isso, sem vacilos, indecisões e descrenças, no andejo pela estrada condensada pela compressão dos princípios e valores aprendidos.

Que lindo os meus pais...obrigado!

Ah, sim, a frase que li nas redes sociais:

“Quem cresceu comendo o que tinha no prato e usando o que os pais podiam dar, entende que a maior herança são princípios e valores”.

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MISCELÂNEA

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segunda-feira, 30 de março de 2026


AS FRALDAS E O NOSSO PAÍS

 

                                                                                                                                Beto Carretta

 

Edson Arantes do Nascimento, nosso inigualável Pelé, foi em tempos atrás, crucificado por uma grande verdade que disse, todavia, o povo brasileiro naquela época, não entendeu e, hoje, parece-me que dão toda a razão a ele: “O povo brasileiro não sabe votar!”.

E não sabe mesmo, prova está a mediocridade do nosso país.

Podemos complementar essa reflexão de Pelé, que buscou entender a realidade pela razão, em outra grande filosofia de Sigmund Freud: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Eles querem ilusões e não vivem sem elas.”

A política em nosso país não, ou nunca foi, um meio para melhorar a situação de seu povo, nunca foi do povo, para o povo e pelo povo, mas, e não sejamos hipócritas de renegar a verdade, a política em nosso país é para os políticos, pelos políticos e dos políticos.

Ou seja: venham a mim ou louros dos lucros e riquezas!

O povo? A gente engana com pão e circo.

Estamos errados?

Aliás, estamos ferrados!

Toda a regra tem exceção, que fique bem claro isso.

Dentre o joio, volta e meia se encontra um grão de trigo nesta multidão.

A política no Brasil se tornou uma excelente profissão, extremamente bem remunerada e, principalmente, e o que eles mais gostam, a tranquilidade de não serem molestados por suas “peraltices”.

Não está aí a derrubada do relatório final da CPMI do INSS?

E os nossos “velhinhos”, como ficam? Quem roubou, devolveu o dinheiro? Ou somos nós que, também e mais uma vez, estamos pagando pelo roubo alheio?

Quem foi para a cadeia? Não existe investigação, não existe inquérito, não existem “apropriadores do dinheiro alheio”?

Que coisa interessante: como os políticos brasileiros gostam de pizza...

Renato Russo/Legião Urbana ainda não foram contemplados com a resposta da pergunta mais intrínseca, atual e totalmente procedente a todos nós: “Que País é Este?”

Ah! A profissão mais desejada...a política.

Mark Twain certa feita, meditou: “A política é a única profissão em que se pode mentir, enganar e roubar e, ainda assim, ser respeitado”.

Discordo em parte, “data vênia” mestre Twain, pois que “respeitado”, acredito que de tantas imoralidades, já não o são mais.

E, nem vamos entrar no assunto da justiça partidária, de conveniência política e arbitrária, que, ao seu bel prazer, destituem a Carta Magna e, lambuzam-se com “interpretações individuais”.

Um escárnio, um desdém e depreciação aos nossos direitos.

Democracia?

Quem e quando alguém vai acabar com tudo isso?

Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo.

Eça de Queiroz

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MISCELÂNEA

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