quinta-feira, 30 de julho de 2026

 


...e o finado assinou!

                                                            

Beto Carretta

 

- Mas, e daí, Carretta véio, como tu tá? Faz horas que eu não te encontro?

- Vamos indo, amigo Pilhério, pois dizem que, enquanto estamos caminhando prá frente, a coisa vai bem!

- Aliás, Pilhério, vou te “emprestar” um conselho: não usa chinelo, tipo pantufa, prá ficar em casa.

- Mas, por que, Carretta véio?

- Porque tu começas a arrastar os pés e daí, é um passo prá...coisa de “véio”, entende?

- Mas, Carretta véio, te vendo aí, forte, rijo e musculoso, me lembro dos velhos tempos do Banco do Brasil. Eita, que era maravilhoso lidar com vocês por lá.

- Verdade, amigo Pilhério, mas, por falar nisso, me lembrei esses dias de uma história que aconteceu com um colega meu, do Banco do Brasil e um falecido vizinho teu, lindeiro, me parece.

- Mas, bah! Então me conta.

- Pois tu sabes muito bem que ele tinha uma lavourinha de milho e financiava conosco. Numa das safras, ele adoeceu bastante feio e, como já tinha feito a proposta do milho lá no balcão da Creai, precisava daquele dinheirinho, porque era uma das subsistências dele, da mulher e, da sua filha.

- Contudo, não tinha condições de ir ao Banco e, nosso gerente, sabendo das condições financeiras dele, porque da aposentadoria que tirava todos os meses, no dia consagrado ao seu crédito, pagava a farmácia, a bodega, algum tecidinho para a mulher fazer alguma roupa e, lá se ia toda a aposentadoria.

- Então, o gerente, muito caridoso,  autorizou que o financiamento dele fosse creditado na sua conta e, depois, alguém ia na casa dele, lá fora, pegar a assinatura do contrato.

- E, assim foi feito e, assim, o gerente determinou um colega, recém chegado na agência, para ir lá pegar a assinatura do teu vizinho.

-E, lá foi ele, depois de alguns dias, para pegar a assinatura deste mutuário. Chegando lá, na casa do homem, notou um movimento totalmente diferente. Pessoas pela frente da casa, alguns tomando uma cachaça, outros assando uma carne...

- Ué -  pensando o colega novato, será que tem festa aí?

- Mas, não tinha festa nenhuma, amigo Pilhério, o nosso mutuário havia falecido e, como é a tradição pelos rincões deste valoroso Rio Grande do Sul, nos velórios para fora, é comum se obsequiar as visitas com churrasco e uma boa pinga, em agradecimento ao conforto levado para a família enlutada.

- Depois do susto de nosso novo colega, ele pensou com os seus botões: - sei lá, tenho que levar o contrato do financiamento do milho assinado, mas como? Minha reputação, já nos primeiros dias de banco vão ir por água abaixo...o que o meu gerente vai dizer...não, não posso deixar isso acontecer, tenho que fazer alguma coisa.

- E, candidamente, criando coragem e estufando o peito (colho a assinatura de qualquer jeito – pensou ele), pediu licença para a esposa do mutuário, para a sua filha e presentes ao velório, e,  dirigindo-se ao defunto em cima de uma mesa...tirou da sua pasta uma carimbeira...

- Pedindo ajuda para uns “hômi” do lado da mesa, afastaram com dificuldade os dedos já endurecidos do morto, ele lambuzou, bem lambuzado o dedão da mão direita do homem já sem nenhuma cerimônia, e, “assinou” o contrato, selando o compromisso do falecido com o Banco do Brasil.

- Afinal de contas, pensou ele e de acordo com o gerente caridoso, um homem sofrido como esse tem o direito de ganhar o seu último financiamento.

- Sorriu, disfarçadamente e, disse a si mesmo, orgulhosamente: missão cumprida!

- Lembrando do que eu sempre dizia lá no Banco, tascou: Buenas, e me espalho!!

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HISTÓRIAS NÃO ESCRITAS DO BB

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quarta-feira, 29 de julho de 2026


A VIDA NÃO ACALANTA NINGUÉM

 

                                                                                     Beto Carretta

 

 

         Todos nós, é bem verdade, temos lutas diárias e dores que ninguém vê, são invisíveis aos olhos e aos sentimentos das outras pessoas.

         A não ser que você se ponha vítima das circunstâncias...

         Essas dores nos maltratam pelo tanto que doem e, não é tão difícil assim saber que existem em todas as pessoas que andam pelo mundo, ali, no teu trabalho, no clube, em casa, na rua, na fazenda ou numa casinha de sapé...

         Nossos dias, em muitas vezes são difíceis, dias ruins, e, não estamos bem, não temos vontade de sorrir, de falar, e, até de pensar.

         Ah, como seria bom parar...olhar para as ondas do mar, lá em cima das falésias e, deixar voar nossos pensamentos...

         Contudo, voltar aos nossos dias, com dores e pesares, a princípio, seria de bom alvitre, para não carregar a alma e o coração, despovoarmos a vitimização das situações.

         A vida não acalanta ninguém.

         Saibamos que, lá fora, ela não para, muito menos anda para traz, ela não olha e não vê nossos sentimentos e, nem nos socorre a buscar passes de cura e atendimento, de paz e candura.

         É dura e cruel.

         Somos nós que a fizemos assim, tenham certeza disso.

         Porque somos os que destinamos nossos dias, tanto para serem felizes, quanto para as tristezas e decepções.

         Livre arbítrio.

         Vocês já pensaram nisso? O livre arbítrio?

         Somos o capitão do navio de nossas existências, com mares sempre e nunca dantes navegados, pois que, os dias e, a cada um, são diferentes, tal como as águas de um rio...elas passam e nós nunca mais as veremos.

         As agruras existem, como em todos os dias existem também as alegrias que nos trazem felicidade.

         E, o que criamos para que, um sentimento ou o outro, existam em nossos dias?

         A vida não acalanta ninguém.

         Ela é fria, é calculista, ela anda, caminha, vai,  totalmente indiferente, sem se envolver com quem e como caminham na sua estrada, tal como a doença ou a saúde, ela lhe é insensível, ela acontece lá fora e, vai, sempre, sem se importar com as águas presentes ou passadas.

         Como assim lhe fosse (a vida) o destino. Simplesmente acontecer, passar e ir...

         Pensem e ajam díspares de um “floco de neve”.

         Não esperem mimos, carinhos, branduras de quem faz os dias, anos e séculos acontecerem...a vida não acalanta ninguém.

         Busquem seus bons momentos.

         ...ela é fria, alheia e insensível.

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REFLEXOS

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terça-feira, 28 de julho de 2026

 


CRISE? QUE CRISE?

 

                                                                                     Beto Carretta

 

- Ladrão! Presidiário! Lixo careca!

         Falar a verdade, é crise?

         Ao contrário, é ser corajoso, é não ser hipócrita, é lavar a alma de um povo asfixiado, abafado, amassado pela ditadura jurídico/presidencialista/socialista, onde se disfarçam em democracia, todavia, são totalmente contra a iniciativa privada, ao livre comércio, ao direito ao bem particular.

         Isto é liberdade?

         Não, ninguém ultrapassou a soberania deste país, e, saibam que só reconquistaremos tudo isso quando tivermos um executivo, um legislativo e um judiciário imparciais e comprometidos com as Leis e a Constituição.

         Constituição esta retrógrada, ultrapassada, vetusta, que já não mais atende aos anseios dos tupiniquins, quando transpira em suas determinações, injustiças incabíveis em pleno século XXI.

         Ora, crise...

         Existem alguns ditados que podem muito bem traduzir a preocupação, tanto do judiciário e através de manifestação de ministro, quanto da diplomacia palaciana, quando se diz: “onde tem fumaça, existe fogo”, como também, “serviu o chapéu”...

         Pois que, as palavras que foram proferidas em púlpito político, logo as “cobras mandadas” já se manifestaram.

         Entendam, senhores e senhoras, não foi provocação nenhuma, não foi ofensa nenhuma, ninguém carregava ali ódio e revanchismo,  apenas e tão somente foram ditas palavras que expressaram a realidade deste país.

         Mais uma vez e, talvez não tenha sido aprendido a lição que os argentinos patrocinaram na Copa do Mundo, seu presidente veio em solo brasileiro fazer o que sabe fazer, ou seja, dizer a verdade.

         Então isso é crise? Que crise?

         Querem, mais uma vez em tantas milhares de outras vezes, criarem narrativas para tentarem disfarçar o que não dá mais para ocultar...

         Perguntem aos brasileiros honestos, probos, trabalhadores, inquietos, sôfregos por uma democracia limpa, sem roubos, sem corrupção, sem sujidades nos corredores fétidos dos palácios brasilienses: Milei disse ou não disse a verdade?

         Então, que crise é essa?

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COTIDIANO

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