ALGUMA COISA “SÓBRIA”. PRECISA SER FEITO
Beto Carretta
Aprendi, nos idos anos da década de 1960, com o meu pai, seu Chico Carretta, a fazer, todos os meses, uma planilha dos gastos/orçamento da casa.
Meu pai era muito controlado, sério em suas dívidas, em seus pagamentos, em seus planejamentos e, sempre nos dizia que, a honestidade era um trunfo na vida.
Foi uma das nossas grandes heranças.
Ter responsabilidade e honestidade, foi o que ele nos deixou e, somos imensamente gratos, pois que as dificuldades foram existentes, todavia, ele sempre conseguiu dribá-las, com a verdade e integridade.
Seus amigos, seus conhecidos, o comércio em geral, tinham nele um homem íntegro, honesto, responsável, e isso nos orgulhou, e muito.
Com isso, desde que ganhei o meu primeiro salário, assim fiz como ele.
Nas minhas agendas, nos dias de pagamento da folha (holerite, para os mais experientes), lá estava o crédito e o débito do mês.
Tudo isso com um só e grande motivo, princípio básico da contabilidade: O DÉBITO MENSAL NUNCA PODE SER MAIOR QUE O CRÉDITO!
Pronto.
Isso traz tranquilidade e bem-estar aos nossos dias, nos deixa deitar a cabeça no travesseiro e ter um sono remansado, não é verdade?
Pois bem, no mês de março, refiz meu orçamento mensal em alguns itens, com a foco nas despesas da alimentação.
Afinal de contas, era preciso remanejar de outra finalidade, para a alimentação, isto é certo.
Pois bem, já no mês de abril, o remanejamento foi, outra vez, necessário.
O que foi jogado a culpa nas guerras, que estão aí para serem vistas, revistas e, ter a sua análise, fria e cerebral, sem tendências e sem extremismos.
Pois bem, tem-se aí muita razão, afinal de contas o petróleo é um dos grandes determinantes da alta do transporte, o que desagua no frete dos produtos alimentícios.
Contudo, mês de maio e, não deixou de ser preciso, meu orçamento novamente se alterou, para mais, é claro.
Comigo, graças ao Bom Deus, tudo ainda é possível administrar, mas, e quem ganha um salário mínimo, ou, até menos, como vive?
É uma grande verdade e um grande feito, a comunidade encruzilhadense que soube, magistralmente, interferir no abuso e irresponsabilidade, do projeto “Vale Alimentação” na Câmara de Vereadores.
O executivo, sejam em que esferas forem, assim como legislativo e judiciário, deveriam, desde os primordes do tempo, colocar a mão na consciência e, cortar nas suas carnes, os privilégios, os penduricalhos, as emendas do fisiologismo e tudo o mais que possa, entrar na conta “povo brasileiro”, a crédito.
Ninguém seria tão “tanso”, que até hoje não tenha percebido que o nosso país é muito rico, tão rico que ainda não sucumbiu, pelas mazelas governamentais que, no decorrer da sua existência, sempre existiu.
Responsabilidade, honestidade, integridade, é o que faço nos meus orçamentos, com o foco sempre no princípio básico: débito não pode ser maior que o crédito.
Será que, a nível de governo, este princípio básico não é possível fazer, será que não está na hora de cessar os privilégios, onde foi noticiado nos jornais que, em 111 voos de aviões militares, apenas 1 passageiro estava a voar, membro do governo, ou melhor, mordomias do governo que se sabe, existem, como suítes em hotéis internacionais de 14 mil a diária...
Não existe mais porta de emergência neste país, onde a fome, principalmente, é um absurdo nas classes menos afortunadas, quando nos corredores palacianos, em todas as instâncias, rolam degustações, vinhos e uísques importados, caviar, faisão, trufas brancas da Itália e viagens, sejam as suítes de 14 mil a diária, sejam de apenas um passageiro nos voos...
Alguma coisa “sóbria”, precisa ser feita neste país.
Mas, quem?
-:-
PAPO-RETO
Esta crônica contém informação e opinião.
Direitos Autorais Reservados na Lei 9610/98.