domingo, 4 de outubro de 2026

 


AS PEQUENAS COISAS

 

                                                                              Beto Carretta

 

Todos os dias, lá estava ele a perguntar-me por cima do muro, como tinha sido o meu dia.

Frequentemente tinha uma palavra de carinho, uma laranja para dar como um mimo, um sorriso, largo e sincero.

Todos os dias.

Não bastasse, quando eu não saía no pátio ou, quando a chuva se fazia presente, então, tocava o celular e, lá estava ele a me perguntar se estava tudo bem, se o dia tinha sido bom e, se eu não precisava de alguma coisa.

Era apenas e tão somente um vizinho.

Tinha lá os seus setenta e tantos anos, cabelos brancos, um  caminhar já trôpego pela falta de exercícios, provavelmente,  mas, no rosto sempre tinha um sorriso, na voz sempre uma palavra de carinho e de incentivo.

Todos os dias.

Eu nunca pedi, jamais lhe ocupei para uma dissertação de bons conselhos, nem nunca lhe parei para que emitisse uma opinião, quer fosse de cunho individual, familiar, de economia ou política, ou, que seja do tempo: Seu Ambrósio, será que vai chover hoje?

Mas, ele sempre tinha algo de bom para me dar, algo de maravilhosos para me ensinar, palavras de alento, de alegria, de bons ventos ao que se poderia pensar nos dias vindouros.

Todos os dias.

Um dia...

Algumas pessoas demonstram o que sentem nos detalhes, nos seus gestos, nas suas palavras: perguntam se você está bem, se não estás precisando de nada, talvez percebam quando algo não está certo, talvez percebam quando estamos precisando de um movimento afável, e  oferecem ajuda sem que você menos espere, aparecem justamente quando você mais precisa.

Com o tempo, a gente entende que muitos desses gestos nunca foram obrigação e muito menos tinha algum outro interesse, muito e antes pelo contrário...

Eram apenas maneiras silenciosas de dizer: “você é importante para mim”, você é legal e lhe quero bem, você me faz viver.
Talvez por isso algumas pessoas deixem marcas tão bonitas na nossa vida e, delas, nunca mais as esquecemos, mesmo porque, um dia e, ao olhar por cima do muro, ficou um vazio...

Tanto pelo que falaram, tanto pelo que disseram, e, também, pela forma como estiveram presentes...todos os dias.
No fim, são os pequenos gestos, as poucas palavras, um leve carinho, aqueles feitos sem plateia e sem esperar reconhecimento, que muitas vezes permanecem na memória por mais tempo.

Ficaram-se as lágrimas e um muro vazio...

-:-

 

ECOS

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Esta crônica reflete a opinião do autor.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2026


 O QUE VAI, VOLTA...

                                                                                        Beto Carretta

 

Não tem, é bem verdade, nada que possa consolar a perda de um ente querido.

Sabe-se que a vida é assim mesmo, pois que a morte é a maior verdade do que se possa ter, e, não me venham com filosofias baratas na construção das suas argumentações, porque não vai rolar.

A partir do momento que você entende que a cada dia que passa, é mais um passo para a sua finitude, você vai perceber que não há nada para comemorar, naturalmente se você gosta da vida.

Da sua vida.

Mas, é claro que, existem vários, inúmeros bons momentos em nossas existências, que é salutar e recomendável a festividade.

A vida não é só espinhos.

Contudo, os passos, em todos os momentos da nossa existência, trilham caminhos que certamente terá em seu destino, a eternidade.

Não há como olvidar, e, sempre existe um porém...porém, é preciso que este ensinamento, que existe e é evidente, não participe de todos os seus instantes de sua personificação “vitae”.

Caso contrário, como um colega meu sempre dizia: você terá incontáveis “dias de depressão”.

E,em todos os momentos, instantes destes dias em que relembramos dos momentos de grandes desequilíbrios, principalmente quando o assunto trata-se de saúde, não falta nunca o amarfanhado dito: tu tens que viver um dia após o outro...um dia de cada vez...tenha forças, tenha fé!

Quem isto entoa, tenho a certeza disso, não conhece, não sabe e, provavelmente nunca vão conhecer a cor dos dias das pessoas que carregam,  o padecimento das dores de uma moléstia, incurável.

Os passos, os dias, claro que mais apressadamente do que o normal, correm para o que se parece finito.

Quando? As forças sublimes, que ultrapassam o comum, o que transcende aos nossos conhecimentos e razão, possuem esta resposta.

Quando um diagnóstico malfadado, desditoso se lhe apresenta, ali num consultório, à frente de um médico, quando o mundo desaba, escurece, e o desejo é, naquele desventurado momento, ser Tom Hanks, em Forrest Gump...

Tenha força, tenha fé, viva um dia após o outro...de que modo, de que jeito...!?

E, no seio das famílias, a extinção da matéria, a cessação completa da vida chega, e, também àqueles que ali atrás, lhes diziam: viva um dia após o outro...um passo de cada vez...TENHA FORÇA...TENHA FÉ!

Ao ouvirem o mesmo amolgado exposto, então, o retorno é surpreendente:

- Que passo de cada vez? Que dia após o outro?

- Força da onde? Fé, que fé?

O melhor lenitivo é: O TEMPO!

-:-

ECOS

hcarretta.blogspot.com

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 


QUEREM SALVAR O MUNDO, MAS...

 

                                                                                  Beto Carretta

 

         Que coisa engraçada tudo isso...querem salvar o mundo, querem salvar o Brasil, Estado e municípios, todavia, nada fazem a não ser jogar palavras fora.

         Contudo, as palavras fora, muita das vezes, encontram guarida no peito, alma e coração de muitos néscios, os quais, acreditam até na historinha do Lobo Mau.

         Outro momento, tais imbecis proferem zombarias às crianças, as quais, nas suas inocências, acreditam em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

         Mas, e eles, os tontos, os idiotas, os palermas, que acreditam nos políticos brasileiros?

         Pense, mas pense bem: em quem você votou nas eleições passadas e o que o seu político de estimação fez, de concreto, e, que estava em seu plano de ação, nas suas promessas eleitoreiras, até hoje?

         E aí, o que ele fez?

         Dias desses, em entrevistas com alguns candidatos ao cargo máximo da Nação, lá eles disseram que se eleitos fossem, um prometeu casa, carro e uma viagem ao exterior, para cada brasileiro, por ano; outro aumentar o salário mínimo para 8 mil reais; outro erradicar a fome neste país, mesmo que já tenha governado este mesmo país por mais de 18 anos, com os seus comparsas, ou melhor, com os seus 40 ladrões; outro, substituir a mão-de-obra pela IA...e, assim por diante...

         Depois, são as crianças que acreditam em contos da carochinha...

         Fácil, muito fácil estar com um microfone na mão e ideias estapafúrdias na mente, para atirar aos tolos, quando, na verdade, nem passa pela intenção deles, realizar 0,001% daquilo que estão a dizer.

“É terrível viver em uma época em que idiotas governam cegos”

William Shakespeare

         Não acreditam, não creem, todavia votam e votam errado, bem como disse certa feita e, foi intensamente criticado, nosso Rei Pelé: os brasileiros não sabem votar!

         O que é uma imensa verdade, pois caem nas mentiras, nas balelas, nos engodos, já de muito tempo, de políticos mal intencionados que, já nem mais encobrem, dissimulam, escondem as suas peripécias desonradas, suas falcatruas, suas corrupções, porque possuem uma clientela que lhes carregam aos cargos eletivos sem maiores transtornos.

         Onde estão os debates e soluções para o fortalecimento da nossa economia, a ampliação do poder de compras dos tupiniquins, a industrialização do nosso país, a redução da dívida pública, o superávit comercial, a geração de mais empregos, a redução dos impostos, a modernização efetiva da nossa educação...onde?

         Lamentável.

         “Querem salvar o mundo, querem salvar o Brasil, Estados e municípios, mas, estes mesmos espertalhões, trapaceiros, velhacos, nunca tentaram, algum dia, salvar as suas próprias mães de uma pia cheia de louças sujas.

         Fácil é “jogar” soluções exaltando os seus heroísmos, em coisas grandes, porque sabem que nunca vão precisar fazê-las!

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CISMAS

hcarretta.blogspot.com

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