Um grande privilégio
Beto Carretta
Fui agraciado pela vida em ter um excelso avô.
Mais ainda, Capitão do Exército Nacional, com distinção.
Eu era pequeno, neófito, contudo e, vejam bem, sua postura de chefe de família foi tão intensa, tão verdadeira, tão justa e benemerente, que até hoje, guardo-o em minha memória.
Em minha puerícia, mesmo assim, aprendi intensas, genuínas e convenientes lições, que até hoje preservo-as, por ter me auxiliado e, em muito, toda a minha trajetória de vida, que já encontra a vetustez.
Mais ainda, carrego-o em meu nome: Marcínio!
Quanta honra.
Muitos foram os ensinamentos, todavia e, em primeiro lugar, o respeito.
Respeito aos meus pais, aos meus avós, aos meus tios e tias, a todos da minha família e, sim, pela tradição dos povos orientais, onde os mais velhos são reverenciados e estimados, muito pelas suas vivências e por suas experiências.
Um conselho, uma filosofia, um repreendimento, nos termos da senectude, são tão valiosos quanto a um passo reto, probo, e profícuo em nossas caminhadas.
Eles, foram e sempre serão os nossos esteios, a quem devemos muito, tenham a certeza disso, por toda esta vida.
Mas, muito mais...ensinou-me o respeito pelas demais pessoas, nossos próximos, pelos símbolos nacionais e, não seria diferente, pelas entidades sociais e, tenho a certeza de que ninguém haveria de pensar: ensinou-me o respeito e a prática da postura física, ou seja, deu-me a caminho para o cuidado do corpo e da mente.
“Men sana in corpore sano”!
Meu avô.
E eu era pequeno...
Campeão em palavras cruzadas, tendo sido vitorioso em muitas oportunidades em que concorreu, no Correio do Povo, em seus concursos.
Aprendi com ele a gostar deste passatempo, o que muito me instruiu no saber e conhecimento.
Me chamava para sentar ao seu lado (como eu era pequeno, naturalmente que eu fica em pé, na cadeira), abria aquele Correio do Povo de antigamente, em que, se alguém lembra, era de um tamanho enorme e, só em uma mesa mesmo para se ler.
Lá estávamos nós a fazer palavras cruzadas, quando também me recitava os versos de Mário Quintana, na mesma página, na coluna “Do Bric-à-Brac da Vida”.
Alguém lembra disso...?
Ah, Mário Quintana...nosso grande poeta, que tenho uma grande admiração, junto com Vinicius de Moraes, “os poetinhas”.
Trago veneração, respeito e muitas saudades de tudo aquilo que ainda me lembro, na casa do Seu Sidonal, na minha querida terra natal, Bagé-RS, com meu avô Marcínio me emprestando o seu tempo para ensinar-me coisas de grande valor e, que, carrego até hoje...não há como esquecer.
E, todas essas lembranças apenas porque apareceu uma postagem nas redes sociais, que cito abaixo (adaptada), onde o meu avô não participou, contudo, fala de outras tantas verdades que precisam ser evidenciadas para uma sociedade trôpega e totalmente esquecida dos genuínos, reais e puros preceitos da honestidade, da responsabilidade, da decência e dignidade que um povo deve envolver, num abraço a tão propalada democracia.
Inverto-o, a saber:
“Acredite no seu avô honesto e trabalhador, de 80 anos ou mais, que viveu o regime militar inteiro e afirma que foi a melhor época do Brasil.
Não acredite no seu professor de história, ou seu“dileto” amigo, de 35 anos, maconheiro, que mora com a mãe, não toma banho e nem corta o cabelo, e diz que foi horrível!”
-:-
PAPO-RETO
hcarretta.blogspot.com
Esta crônica contém informação e opinião do autor.
Direitos Reservados na Lei 9610/98


