Uma dúvida atroz
Beto Carretta
Apesar que atroz é um pouco demasiado, visto que lá no “amansa néscio”, está escrito que também é “selvagem, atemorizador, horripilante”, quando não é tudo isso que se quer dizer.
Nesta dúvida a gente tem vida...
Mudemos: na vida a gente tem muitas dúvidas, que são presentes, possuem vitalidade, são existentes e pulsam, não é mesmo.
O nosso cotidiano é um aldeamento de interrogações que, nem sempre, temos as respostas.
Ainda bem.
Imaginem se soubéssemos de tudo, qual seria o sentido de viver, pela monotonia de ter respostas para todas as perguntas?
A “des-investigação” nas perguntas, nas dúvidas, do não saber, nos traria um apaziguamento ao caminho para a evolução, o que poderia nos levar ao tosco viver, ocultismo do desenvolvimento sapiente, ou seja, haveria a possibilidade de voltarmos ao paleolítico convívio no agreste.
Aliás, de muito tempo já dizem que a dúvida não é um sinal de asnice, mas, o primeiro passo para o conhecimento.
Por falarmos em tempos paleolíticos, vale também afirmar que as incertezas nas nossas vidas deveriam de ser a “faísca” na busca e oportunidade de crescermos no aprendizado.
Ah, como é muito gratificante o aprendizado...
Mesmo longe dos bancos escolares, buscar a evolução do saber é uma ocupação que nos dá regozijo, ou, ao menos deveria ser assim (comigo é), nos traz entusiasmo em acrescentar cada vez mais o entendimento das coisas que nos são pares, ou seja, estão em nosso arredor, dançam conosco.
Ah, sim, eu estava a falar no cotidiano, das coisas no cotidiano, aliás, em algum tempo atrás já falei por aqui nestas pequenas coisas, nas pequenas indagações, nas diminutas curiosidades e, que, passam longe da busca sensata de uma resposta, podem crer.
Querem ver, ou melhor, querem responder?
Por exemplo, quando você vai mexer o seu café com aquela pequena colher, o movimento que você faz é pela direita ou pela esquerda?
No seu banheiro, você prefere que o papel higiênico esteja a sua direita ou a sua esquerda? E o “lixinho”?
Quando você pega um vidro de xarope para tomar, você segura o vidro na mão esquerda e a colher(de sopa, geralmente), ou, aquele copinho que já vem na embalagem, na mão direita, ou ao contrário?
Qual o pé que você coloca no chão primeiro, ao levantar?
Quantos passos tem o chão?
Qual a fórmula da Coca-Cola? E, do sabonete?
Médicos(as), nutricionistas, só comem verduras?
Por que o céu é azul e o mar é verde? O céu não se espelha no mar?
São muitas, são tantas, são infinitas as dúvidas...e eu, neste momento, estou a me perguntar: seria cultura inútil?
Sei lá...
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COTIDIANO
hcarretta.blogspot.com
Esta crônica contém opinião e cultura inútil.
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