sexta-feira, 9 de outubro de 2026

 


A VERGONHA DO 7 DE SETEMBRO

 

                                                                                     Beto Carretta

 

 

         ...as ruas eram cheias de pessoas, velhos, jovens, crianças, de estudantes, de povo verde-amarelo, de bandeiras, de bandas, de fanfarras, de música, de hinos, de respeito, de honestidade, de probidade, de democracia, de brasilidade espontânea e, liberta da contaminação imoral que hoje emana dos corredores fétidos palacianos...

         Ah! Como era lindo o Dia 7 de Setembro!

         Este 7 de Setembro quem viu e viveu, foi como se fosse um quadro de pintura, tal qual foi pintado “O Grito da Independência”, por Pedro Américo de Figueiredo e Mello, hoje exposto no Salão Nobre do Museu Paulista (Museu do Ipiranga)...lindo!

         Hoje, o que se tem é uma fotografia em preto e branco, totalmente desfocada, feia, triste, configurando plenamente o abismo que o “estado brasileiro” construiu nesses anos, afastando-se totalmente de um povo, já sofrido e penalizado por tantas desmesuras governamentais.

         Os fétidos corredores palacianos...

         Onde se abriga a corrupção, a desonra, os delitos de posses indevidas, o desperdício inaceitável da riqueza tupiniquim, a indiferença, o profissionalismo político, a incompetência perdulária administrativa, enfim, a decadência, o crepúsculo, o descrédito de uma governança extremamente egoísta e interesseira aos seus projetos pessoais.

         Um governo que não deveria existir, aliás, não existe para o seu povo, a não ser àqueles que estão subjugados pelas esmolas sociais.

         O 7 de Setembro naufragou, soçobrou pelas mãos daqueles que, deliberadamente, não possuem nenhum respeito pelos símbolos nacionais, ao contrário, adotam outros, copiados de países que possuem muros, para aprisionar os seus cidadãos.

         O 7 de Setembro das antigas, nas ruas, nos gramados, nas janelas das casas, nas praças, ainda ontem dava-se o valor devido as nossas insígnias nacionais, ao contrário do que aí está, onde se vê apenas um punhado de gente “encabrestados” pelos empregos sociais, do toma lá, dá cá.

         Uma total imoralidade.

         O 7 de Setembro...ao invés de manifestações de louvor pelas administrações probas, eficientes, progressistas, viu-se na mídia nacional faixas marqueteiras extravasando, errônea e politicamente, bravatas sobre a soberania nacional.

         Como afirmou o competente jornalista, Alexandre Garcia, em uma das suas maravilhosas crônicas: “O povo brasileiro perdeu a soberania”.

         Porque nada mais decide coisa alguma, lhe é imposto.

         O autoritarismo, a ditadura disfarçada, a manipulação contaminada, diluída, misturada com a corrupção, com o enriquecimento ilícito, com as mordomias de um reino privado, pessoal, invulgar, cada vez mais desmerecem o 7 de Setembro.

         A palavra liberdade encontra-se “sub judice”.

         O Estado, neste momento, luta arduamente, para levar o povo brasileiro à sua colônia.

         E o Dia 7 de Setembro?

         Uma vergonha.

-:-

 

DESASSOSSEGOS

hcarretta.blogspot.com

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

 


REDIRECIONAR...

 

                                                                                     Beto Carretta

 

                Este fato é verdadeiro e muito atual.

            Aconteceu comigo e, há muito tempo venho batendo nesta tecla, para que todos percebam do que vai acontecer com a humanidade ali, logo na frente e, rapidamente.

            Vejam bem:

No Rio Grande do Sul, as pessoas com 60 anos ou mais somam cerca de 2,2 milhões a 2,3 milhões de habitantes, o que representa 20,6% da população total do estado.

            O Rio Grande do Sul é o estado com o maior percentual de idosos do Brasil.

Comparação etária: A população com 60 anos ou mais já supera a de crianças e jovens com menos de 15 anos (que representam 17,7%).

Índice de envelhecimento: São cerca de 115 idosos para cada 100 jovens no estado (e esse número chega a 137 por 100 em Porto Alegre).

            Então, estava eu na sala de espera de um laboratório de análises clínicas, com uma ficha de atendimento prioritário, é lógico,  pela minha idade de 69 anos e, naturalmente, a observar os movimentos...

            Depois de uns 15 minutos, entrou um jovem, bem apessoado, tranquilo e, trazia em suas mãos, uma ficha de atendimento normal, ou seja, para o público em geral.

            Olhei-o de soslaio e, mentalmente falei para com os meus botões: esse menino vai ser atendido bem depois de mim.

            Segue os atendimentos e, as meninas chamando os pacientes pelas fichas em ordem de chegada.

            Vejam bem, a minha ficha de atendimento era do “prioritário”, sessenta anos para mais, pois que já existe, também, as fichas para oitenta anos ou mais...

            E, não mais do que de repente, aquele jovem que sentou ao meu lado, foi chamado.

            Como assim?

            O meu atendimento é prioritário, tenho mais de sessenta anos, e, o garoto chegou bem depois de mim...como assim?

            Então, caiu a ficha...

            Haviam quatro moças atendentes, todavia, apenas uma garota chamava as fichas prioritárias, inclusive dos 80+.

            Pois que, é lógico, ou seja, para prioritários somente uma menina e, para os demais, três meninas.

            Bom, então, tenham paciência, mas o meu atendimento e para os demais 60+ e 80+, NÃO É PRIORITÁRIO!

            Os gestores que tratam de atendimento ao público, precisam se reciclarem, precisam lerem, estudarem, conhecerem a realidade deste estado e, também do país, coisa que está clara e decididamente que não fazem.

            Hoje, conforme os dados colhidos pelo IBGE, a população está envelhecendo vertiginosamente e, é para eles (e para mim também), que as políticas TODAS, saúde, segurança, educação, infraestrutura, inclusão e muito mais, devem ser, imediatamente, direcionadas a este fenômeno que já é a realidade, principalmente do RS, sob pena de uma degradação populacional injustificada e indicada pelo desleixo, pelo abandono das autoridades encarregadas do setor público e privado.

            Precisam redirecionarem as suas diretrizes e determinações.

            O RS é o estado com maior percentual de idosos do país...será preciso desenhar?

            Deveria ser, nem tanto ao mar e nem tanto a terra: 2 meninas para os idosos e, duas meninas para os demais...por enquanto.

            Daí, o jovem foi, fez toda a burocracia dos papéis, e, mais alguns minutos passou por mim, já colhido o material, dando-me um “adeusinho”...

            ...voltei a olhar a minha ficha de atendimento: PO26!

-:-

 

COTIDIANO

hcarretta@yahoo.com.br

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domingo, 4 de outubro de 2026

 


AS PEQUENAS COISAS

 

                                                                              Beto Carretta

 

Todos os dias, lá estava ele a perguntar-me por cima do muro, como tinha sido o meu dia.

Frequentemente tinha uma palavra de carinho, uma laranja para dar como um mimo, um sorriso, largo e sincero.

Todos os dias.

Não bastasse, quando eu não saía no pátio ou, quando a chuva se fazia presente, então, tocava o celular e, lá estava ele a me perguntar se estava tudo bem, se o dia tinha sido bom e, se eu não precisava de alguma coisa.

Era apenas e tão somente um vizinho.

Tinha lá os seus setenta e tantos anos, cabelos brancos, um  caminhar já trôpego pela falta de exercícios, provavelmente,  mas, no rosto sempre tinha um sorriso, na voz sempre uma palavra de carinho e de incentivo.

Todos os dias.

Eu nunca pedi, jamais lhe ocupei para uma dissertação de bons conselhos, nem nunca lhe parei para que emitisse uma opinião, quer fosse de cunho individual, familiar, de economia ou política, ou, que seja do tempo: Seu Ambrósio, será que vai chover hoje?

Mas, ele sempre tinha algo de bom para me dar, algo de maravilhosos para me ensinar, palavras de alento, de alegria, de bons ventos ao que se poderia pensar nos dias vindouros.

Todos os dias.

Um dia...

Algumas pessoas demonstram o que sentem nos detalhes, nos seus gestos, nas suas palavras: perguntam se você está bem, se não estás precisando de nada, talvez percebam quando algo não está certo, talvez percebam quando estamos precisando de um movimento afável, e  oferecem ajuda sem que você menos espere, aparecem justamente quando você mais precisa.

Com o tempo, a gente entende que muitos desses gestos nunca foram obrigação e muito menos tinha algum outro interesse, muito e antes pelo contrário...

Eram apenas maneiras silenciosas de dizer: “você é importante para mim”, você é legal e lhe quero bem, você me faz viver.
Talvez por isso algumas pessoas deixem marcas tão bonitas na nossa vida e, delas, nunca mais as esquecemos, mesmo porque, um dia e, ao olhar por cima do muro, ficou um vazio...

Tanto pelo que falaram, tanto pelo que disseram, e, também, pela forma como estiveram presentes...todos os dias.
No fim, são os pequenos gestos, as poucas palavras, um leve carinho, aqueles feitos sem plateia e sem esperar reconhecimento, que muitas vezes permanecem na memória por mais tempo.

Ficaram-se as lágrimas e um muro vazio...

-:-

 

ECOS

hcarretta.blogspot.com

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