O QUE VAI, VOLTA...
Beto Carretta
Não tem, é bem verdade, nada que possa consolar a perda de um ente querido.
Sabe-se que a vida é assim mesmo, pois que a morte é a maior verdade do que se possa ter, e, não me venham com filosofias baratas na construção das suas argumentações, porque não vai rolar.
A partir do momento que você entende que a cada dia que passa, é mais um passo para a sua finitude, você vai perceber que não há nada para comemorar, naturalmente se você gosta da vida.
Da sua vida.
Mas, é claro que, existem vários, inúmeros bons momentos em nossas existências, que é salutar e recomendável a festividade.
A vida não é só espinhos.
Contudo, os passos, em todos os momentos da nossa existência, trilham caminhos que certamente terá em seu destino, a eternidade.
Não há como olvidar, e, sempre existe um porém...porém, é preciso que este ensinamento, que existe e é evidente, não participe de todos os seus instantes de sua personificação “vitae”.
Caso contrário, como um colega meu sempre dizia: você terá incontáveis “dias de depressão”.
E,em todos os momentos, instantes destes dias em que relembramos dos momentos de grandes desequilíbrios, principalmente quando o assunto trata-se de saúde, não falta nunca o amarfanhado dito: tu tens que viver um dia após o outro...um dia de cada vez...tenha forças, tenha fé!
Quem isto entoa, tenho a certeza disso, não conhece, não sabe e, provavelmente nunca vão conhecer a cor dos dias das pessoas que carregam, o padecimento das dores de uma moléstia, incurável.
Os passos, os dias, claro que mais apressadamente do que o normal, correm para o que se parece finito.
Quando? As forças sublimes, que ultrapassam o comum, o que transcende aos nossos conhecimentos e razão, possuem esta resposta.
Quando um diagnóstico malfadado, desditoso se lhe apresenta, ali num consultório, à frente de um médico, quando o mundo desaba, escurece, e o desejo é, naquele desventurado momento, ser Tom Hanks, em Forrest Gump...
Tenha força, tenha fé, viva um dia após o outro...de que modo, de que jeito...!?
E, no seio das famílias, a extinção da matéria, a cessação completa da vida chega, e, também àqueles que ali atrás, lhes diziam: viva um dia após o outro...um passo de cada vez...TENHA FORÇA...TENHA FÉ!
Ao ouvirem o mesmo amolgado exposto, então, o retorno é surpreendente:
- Que passo de cada vez? Que dia após o outro?
- Força da onde? Fé, que fé?
O melhor lenitivo é: O TEMPO!
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ECOS
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