O OCASO DOS DESAFIOS
Beto Carretta
Às vezes, o homem, por uma vontade indomável de aventurar-se no desconhecido, cria em sua volta momentos intermináveis de angústia.
A angústia de criar, de entregar, de se fazer ler e de satisfazer, leva-o ao “brainstorming”, ou seja, uma confusão ordenada de pensamentos, tornando-o absorto, silencioso e sozinho.
São momentos de necessidade incontrolável que surgem de dentro para fora, a necessidade de gerar, de compor, de externar e, os desafios começam a tomar forma.
O próximo passo, posterior a idealização, a criação e o aceite, vem a adotação com sentimento paternalista, como a geração de um mundo totalmente novo que ali está, a existir.
Todos nós sabemos que existe, é palpável, real e perpetuado com manchas de tinta, no papel.
Um rebento.
São instintos do homem animal na preservação da sua identidade, como o surgimento de grandes criações: a lâmpada, o telefone, o avião, os computadores e suas variações, como as teorias inatacáveis, até os dias de hoje.
Nenhum prazer é superior ao do espírito.
Inegável os momentos da necessidade destes grandes criadores, os quais foram indiferentes aos mais absurdos comentários, levando em frente um projeto no qual acreditavam.
Foram momentos de enfrentar o desconhecido, momentos de enfrentar as incertezas, momentos de enfrentar os desafios, com a cara e a coragem que lhes é peculiar.
Assim é que compartimos.
Persistentes, criativos, inventores.
Hoje, muita coisa mudou...ler é quase uma perda de tempo, onde os escritores, poetas, cronistas, estão sendo jogados ao ostracismo, infelizmente.
O mundo tem pressa...ora parar para ler... é perda de tempo e dinheiro...
A beleza da arte, se eles não sabem, nascem do atrevimento de criar, a coragem e ousadia de ser levado em suas palavras, ao crivo de nomes pretensos como Epicuro de Samos, Heráclito ou Sêneca...
Se não houvesse tristeza, não haveria a arte.
Apenas existem os que ignoram à vontade, o desejo, a necessidade dentro dos artistas de externarem seus sentimentos: o escritor tem seu desejo mágico, ou seja, de fazer soar de novo, a melodia esquecida.
Por isso, surgimos de vontades, desejos, curiosidade e, da necessidade de um grande desafio, ou seja, levar a toda uma comunidade palavras nascidas de um grande propósito: escrever, no sentido de operar ressurreições.
Surgimos de uma imensa vontade de permanecer, mas o tempo, ah! o tempo, nos dá hoje a certeza de que passou...
Foi assim que iniciamos nossa caminhada, há exatos 35 anos, quando grafamos a primeira coluna no Jornal 19 de Julho que acabava de nascer, trazendo para a comunidade encruzilhadense, mais uma opção como fonte de entretenimento e cultura.
Tive o privilégio de estar em sua primeira edição e, depois destes trinta e cinco anos de convivência semanal, só uma coisa existe para ser dita: foi imensamente gratificante estar na companhia de todos os (as) leitores (as) deste semanário, e, não poderia ser diferente, agradecer-lhes profundamente pelas palavras carregadas de carinho e de elogios com que nos receberam a cada edição, impelindo-nos, instigando-nos, suscitando-nos a darmos continuidade nesta relação, com a verdade e a responsabilidade que o jornalismo requer.
Sentimo-nos honrados e jubilosos em fazer parte desta história.
A imensa vontade de criar nos trouxe a fé de que o projeto era vencedor, nos deu a esperança de que lograríamos êxito, e, sem sombra de dúvidas o Jornal 19 de julho, o mais lido, o mais comentado, foi para mim, mais que uma realidade, uma façanha de um sonho convertido em vitória.
Do Guido, a criação, o desafio e a ideia posta em prática.
Do Pedro Paulo e da Cristina, a coragem, a persistência e a criatividade, o sonho de ontem, que permaneceu.
Nossa estimada redatora-chefe, Juliana, a garra, a vontade, a coragem de prosseguir neste intrépido caminho.
Dos leitores e leitoras, o mérito da conquista deste grande sucesso.
É extremamente ditoso ter pertencido a este grupo
que aceitou os reptos, e, com toda a certeza, suplantou-os com garra, dedicação e galhardia.
35 anos – é uma vida.
A alma anda para trás, navega ao sabor do suave sopro da saudade.
Ficam as lágrimas do ocaso...
Obrigado, família JORNAL 19 DE JULHO!!!!
“Toda a saudade é uma espécie de velhice.
É por isso que os olhos dos velhos vão se enchendo de ausências.”
Rubem Alves
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Esta crônica contém informação e opinião.
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