segunda-feira, 30 de março de 2026


AS FRALDAS E O NOSSO PAÍS

 

                                                                                                                                Beto Carretta

 

Edson Arantes do Nascimento, nosso inigualável Pelé, foi em tempos atrás, crucificado por uma grande verdade que disse, todavia, o povo brasileiro naquela época, não entendeu e, hoje, parece-me que dão toda a razão a ele: “O povo brasileiro não sabe votar!”.

E não sabe mesmo, prova está a mediocridade do nosso país.

Podemos complementar essa reflexão de Pelé, que buscou entender a realidade pela razão, em outra grande filosofia de Sigmund Freud: “As massas nunca tiveram sede de verdade. Eles querem ilusões e não vivem sem elas.”

A política em nosso país não, ou nunca foi, um meio para melhorar a situação de seu povo, nunca foi do povo, para o povo e pelo povo, mas, e não sejamos hipócritas de renegar a verdade, a política em nosso país é para os políticos, pelos políticos e dos políticos.

Ou seja: venham a mim ou louros dos lucros e riquezas!

O povo? A gente engana com pão e circo.

Estamos errados?

Aliás, estamos ferrados!

Toda a regra tem exceção, que fique bem claro isso.

Dentre o joio, volta e meia se encontra um grão de trigo nesta multidão.

A política no Brasil se tornou uma excelente profissão, extremamente bem remunerada e, principalmente, e o que eles mais gostam, a tranquilidade de não serem molestados por suas “peraltices”.

Não está aí a derrubada do relatório final da CPMI do INSS?

E os nossos “velhinhos”, como ficam? Quem roubou, devolveu o dinheiro? Ou somos nós que, também e mais uma vez, estamos pagando pelo roubo alheio?

Quem foi para a cadeia? Não existe investigação, não existe inquérito, não existem “apropriadores do dinheiro alheio”?

Que coisa interessante: como os políticos brasileiros gostam de pizza...

Renato Russo/Legião Urbana ainda não foram contemplados com a resposta da pergunta mais intrínseca, atual e totalmente procedente a todos nós: “Que País é Este?”

Ah! A profissão mais desejada...a política.

Mark Twain certa feita, meditou: “A política é a única profissão em que se pode mentir, enganar e roubar e, ainda assim, ser respeitado”.

Discordo em parte, “data vênia” mestre Twain, pois que “respeitado”, acredito que de tantas imoralidades, já não o são mais.

E, nem vamos entrar no assunto da justiça partidária, de conveniência política e arbitrária, que, ao seu bel prazer, destituem a Carta Magna e, lambuzam-se com “interpretações individuais”.

Um escárnio, um desdém e depreciação aos nossos direitos.

Democracia?

Quem e quando alguém vai acabar com tudo isso?

Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos, pelo mesmo motivo.

Eça de Queiroz

-:-

 

MISCELÂNEA

Esta crônica contém informação e opinião.

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segunda-feira, 23 de março de 2026

 



      





 ESTÃO FERRANDO O PAÍS


                                                          Beto Carretta



Não existe título melhor do que este, para o que vamos conversar.

Duvido.

Aristóteles, filósofo da Grécia Antiga, em sua “Ética a Nicômaco”, afirmou: “A política é a atividade mestra, que ocupa o topo da hierarquia das atividades, ciências e técnicas, porque cabe a ela determinar até que ponto e em que medida serão exercidas todas as outras, da medicina à cultura, da economia ao direito penal e à educação.”

Data Vênia, luzidio filósofo, daqui de minha singela, humilde e sóbria opinião, devo desmistificar tal efeito nesta asseveração, pois que, não neste país, não no nosso país, não no Brasil, este perceptível manifesto tem guarida.

A política em nosso país não deixa de ser incompetente, corrupta, dependente, e nefasta para as pretensões dos brasileiros, como agora, neste ano, nas urnas da dita e imaginada, “festa da democracia”.

Festa?

Para quem?

Claro, é evidente e todos vocês sabem muito bem para quem as eleições servem neste país...

Quer se queira, quer não se queira, vivemos em solo de fanáticos, de radicais, de pessoas que amam, que cultuam, que admiram exageradamente os políticos, e isso é extremamente maléfico.

E, passivamente, estamos convivendo com estes absurdos.

Essa gente está doente, nós estamos doentes, estamos sendo coniventes com todos esses políticos nauseabundos e ferrando nosso país.

Sim, vamos ser coerentes: toda a regra tem exceção.

Como hoje, neste turbilhão, entre política misturada com justiça e justiça sendo maior que todos os poderes (por que será?), está em voga e expressão: “presunção da inculpabilidade”.

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Todavia, vocês sabem muito bem o que isso significa: ditadura, disfarçada (que já nem mais disfarçam tanto assim), mas ditadura.

Aos inimigos, a lei; aos amigos, a bonança e o perdão...remunerado.

Indignação.

Nosso povo é benevolente, ao contrário e no momento que exige de si a braveza de contestar sobre todas essas coisas, pois que, ao invés da serenidade, uma cobrança intensa, forte e firme, contra as sujeiras à vista e nos labirintos dos esgotos palacianos.

Acredito, somos um bando de vassalos, submissos, dependentes e subordinados às leis de uma dissimulada e cruel ditadura.

Nega-se a realidade, enquanto a caravana passa, com seus grandes carros de boi, atulhados com suas riquezas furtivas...

Estão ferrando o país...

Podemos nos espelhar no que, algum dia, alguém disse (há quem atribua ao professor de direito da PUC, Michel Gralha):

“Não tenho político de estimação e nem preferido, pelo contrário, tenho opinião constante: Estado mínimo, respeito às liberdades individuais, independência dos poderes, livre economia, respeito às diferenças e ao próximo.”

Lembrem-se disso: as eleições vêm aí...

-:-

Miscelânea

hcarretta.blogspot.com

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quinta-feira, 19 de março de 2026


 


O OCASO DOS DESAFIOS

 

                                                            Beto Carretta


Às vezes, o homem, por uma vontade indomável de aventurar-se no desconhecido, cria em sua volta momentos intermináveis de angústia.

A angústia de criar, de entregar, de se fazer ler e de satisfazer, leva-o ao “brainstorming”, ou seja, uma confusão ordenada de pensamentos, tornando-o absorto, silencioso e sozinho.

São momentos de necessidade incontrolável que surgem de dentro para fora, a necessidade de gerar, de compor, de externar e, os desafios começam a tomar forma.

O próximo passo, posterior a idealização, a criação e o aceite, vem a adotação com sentimento paternalista, como a geração de um mundo totalmente novo que ali está, a existir.

Todos nós sabemos que existe, é palpável, real e perpetuado com manchas de tinta, no papel.

Um rebento.

São instintos do homem animal na preservação da sua identidade, como o surgimento de grandes criações: a lâmpada, o telefone, o avião, os computadores e suas variações, como as teorias inatacáveis, até os dias de hoje.

Nenhum prazer é superior ao do espírito.

Inegável os momentos da necessidade destes grandes criadores, os quais foram indiferentes aos mais absurdos comentários, levando em frente um projeto no qual acreditavam.

Foram momentos de enfrentar o desconhecido, momentos de enfrentar as incertezas, momentos de enfrentar os desafios, com a cara e a coragem que lhes é peculiar.

Assim é que compartimos.

Persistentes, criativos, inventores.

Hoje, muita coisa mudou...ler é quase uma perda de tempo, onde os escritores, poetas, cronistas, estão sendo jogados ao ostracismo, infelizmente.

O mundo tem pressa...ora parar para ler... é perda de tempo e dinheiro...

A beleza da arte, se eles não sabem, nascem do atrevimento de criar, a coragem e ousadia de ser levado em suas palavras, ao crivo de nomes pretensos como Epicuro de Samos, Heráclito ou Sêneca...

Se não houvesse tristeza, não haveria a arte.

Apenas existem os que ignoram à vontade, o desejo, a necessidade dentro dos artistas de externarem seus sentimentos: o escritor tem seu desejo mágico, ou seja, de fazer soar de novo, a melodia esquecida.

Por isso, surgimos de vontades, desejos, curiosidade e, da necessidade de um grande desafio, ou seja, levar a toda uma comunidade palavras nascidas de um grande propósito: escrever, no sentido de operar ressurreições.

Surgimos de uma imensa vontade de permanecer, mas o tempo, ah! o tempo, nos dá hoje a certeza de que passou...

Foi assim que iniciamos nossa caminhada, há exatos 35 anos, quando grafamos a primeira coluna no Jornal 19 de Julho que acabava de nascer, trazendo para a comunidade encruzilhadense, mais uma opção como fonte de entretenimento e cultura.

Tive o privilégio de estar em sua primeira edição e, depois destes trinta e cinco anos de convivência semanal, só uma coisa existe para ser dita: foi imensamente gratificante estar na companhia de todos os (as) leitores (as) deste semanário, e, não poderia ser diferente, agradecer-lhes profundamente pelas palavras carregadas de carinho e de elogios com que nos receberam a cada edição, impelindo-nos, instigando-nos, suscitando-nos a darmos continuidade nesta relação, com a verdade e a responsabilidade que o jornalismo requer.  

Sentimo-nos honrados e jubilosos em fazer parte desta história.

A imensa vontade de criar nos trouxe a fé de que o projeto era vencedor, nos deu a esperança de que lograríamos êxito, e, sem sombra de dúvidas o Jornal 19 de julho, o mais lido, o mais comentado, foi para mim, mais que uma realidade, uma façanha de um sonho convertido em vitória.

Do Guido, a criação, o desafio e a ideia posta em prática.

Do Pedro Paulo e da Cristina, a coragem, a persistência e a criatividade, o sonho de ontem, que permaneceu.

Nossa estimada redatora-chefe, Juliana, a garra, a vontade, a coragem de prosseguir neste intrépido caminho.

 Dos leitores e leitoras, o mérito da conquista deste grande sucesso.

É extremamente ditoso ter pertencido a este grupo

que aceitou os reptos, e, com toda a certeza, suplantou-os com garra, dedicação e galhardia.

35 anos – é uma vida.

A alma anda para trás, navega ao sabor do suave sopro da saudade.

Ficam as lágrimas do ocaso...

Obrigado, família JORNAL 19 DE JULHO!!!!

“Toda a saudade é uma espécie de velhice.

É por isso que os olhos dos velhos vão se enchendo de ausências.”

Rubem Alves

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