O BRASIL NÃO TEM POVO...
Beto Carretta
Esta frase, ou esta filosofia, ou este
adágio, como queiram, nos dá a real dimensão do país em que vivemos.
E, não é injusto não!
Sabem o por quê?
Porque somos um povo plácido (está lá,
em nosso Hino Nacional), brando, totalmente sossegado (carnaval, samba e futebol),
que nunca e jamais pensa em algum dia, mudar tudo isso que se passa diante dos
seus olhos, aliás, também dos meus.
“O
Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta, público assiste de camarote.
Lima Barreto, início do século XX
E, de
lá para cá, nada, absolutamente nada mudou, a não ser um tsunami chamado
corrupção, ladroíces escandalosas, enriquecimentos ilícitos, falcatruas, tudo diante dos nossos olhos...e o que
fizemos, ou tentamos fazer?
Patavinas!
Se dispusermos
nossa vã filosofia a pensar no dito de Lima Barreto, vamos chegar à conclusão
de que, a mais de cem anos, tais palavras ecoam como uma grande denúncia.
Quantos
de nós (todavia, e é bom lembrar-vos, no ano de 2016, eu tentei...simplesmente
não quiseram...) decidiram ser agentes de transformação neste país?
Sim,
falo de política, falo, dentro da responsabilidade, da honestidade...
Falo da probidade, da rectidão, da honradez,
respeitabilidade e integridade, no rumo de transformar este Brasil em um país
de alicerces sólidos, de princípios embasados na moral, no pudor, na decência,
donde deve refletir um comportamento justo, perfeito, íntegro...
“...Sirvam nossas façanhas, de
modelo à toda Terra...!”
Ou será que a boa cadeira macia e
confortável, na plateia, somente observando a todas essas mazelas brasileiras
que implodem a economia, a segurança, a saúde, a educação tupiniquim e, tantos
outros seguimentos, é a melhor coisa a fazer?
Você pressupõe de que não temos
nada a ver com isso, de que não estamos implicados neste caos, neste turbilhão
de escândalos (INSS, Master...), de corrupção, de leis aprovadas na calada da
noite, da ditadura judiciária, etc. e tal...como vamos ainda deixar que o corpo
político deste nosso Brasil possua as rédeas e, nada fazermos?
Em que prateleira das suas
aspirações por um Brasil melhor, está a sua indignação?
Estamos, definitivamente vivendo
como em novelas da televisão brasileira, ou seja, nossa realidade está sendo
tratada como ficção, pois que, logo após o epílogo do folhetim, vem o
esquecimento, a cortina de fumaça, quando nossos direitos estão sendo
amarfanhados, nossa vida precarizada, nossas oportunidades destruídas...
Estamos sendo, nada mais e nada
menos do que apenas e tão somente, espectadores, quando a realidade se impõe de
que somos, decididamente, os personagens afetados pela trama.
Ah, sim, assistir é muito mais
exequível, tranquilo, confortável do que atuar, agir, labutar.
Afinal de contas, onde foi parar
nossa consciência crítica, nossa disposição para o embate, nossa braveza?
Estamos fragmentados em ações
estéreis, em extremismos inócuos, enquanto nossos inimigos estão blindados em
seus bastidores, arregimentados em armas e canhões ao longo de todos esses
anos, pela impunidade e corrupção.
Pela nossa acinesia, infelizmente.
Até quando seremos público de
auditório?
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CISMAS
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