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Beto
Carretta
Este fato é
verdadeiro e muito atual.
Aconteceu comigo e, há muito tempo
venho batendo nesta tecla, para que todos percebam do que vai acontecer com a
humanidade ali, logo na frente e, rapidamente.
Vejam bem:
No Rio Grande do Sul, as
pessoas com 60 anos ou mais somam cerca
de 2,2 milhões a 2,3 milhões de habitantes,
o que representa 20,6%
da população total do estado.
O Rio Grande do Sul é o estado com o maior percentual de idosos do
Brasil.
Comparação etária: A população com 60 anos ou mais já supera a de
crianças e jovens com menos de 15 anos (que representam 17,7%).
Índice de envelhecimento: São cerca de 115 idosos para
cada 100 jovens no estado (e esse número chega a 137 por 100 em Porto Alegre).
Então, estava eu
na sala de espera de um laboratório de análises clínicas, com uma ficha de
atendimento prioritário, é lógico, pela minha
idade de 69 anos e, naturalmente, a observar os movimentos...
Depois
de uns 15 minutos, entrou um jovem, bem apessoado, tranquilo e, trazia em suas mãos,
uma ficha de atendimento normal, ou seja, para o público em geral.
Olhei-o
de soslaio e, mentalmente falei para com os meus botões: esse menino vai ser
atendido bem depois de mim.
Segue
os atendimentos e, as meninas chamando os pacientes pelas fichas em ordem de
chegada.
Vejam
bem, a minha ficha de atendimento era do “prioritário”, sessenta anos para
mais, pois que já existe, também, as fichas para oitenta anos ou mais...
E,
não mais do que de repente, aquele jovem que sentou ao meu lado, foi chamado.
Como
assim?
O
meu atendimento é prioritário, tenho mais de sessenta anos, e, o garoto chegou
bem depois de mim...como assim?
Então,
caiu a ficha...
Haviam
quatro moças atendentes, todavia, apenas uma garota chamava as fichas
prioritárias, inclusive dos 80+.
Pois
que, é lógico, ou seja, para prioritários somente uma menina e, para os demais,
três meninas.
Bom,
então, tenham paciência, mas o meu atendimento e para os demais 60+ e 80+, NÃO
É PRIORITÁRIO!
Os
gestores que tratam de atendimento ao público, precisam se reciclarem, precisam
lerem, estudarem, conhecerem a realidade deste estado e, também do país, coisa
que está clara e decididamente que não fazem.
Hoje,
conforme os dados colhidos pelo IBGE, a população está envelhecendo vertiginosamente
e, é para eles (e para mim também), que as políticas TODAS, saúde, segurança,
educação, infraestrutura, inclusão e muito mais, devem ser, imediatamente,
direcionadas a este fenômeno que já é a realidade, principalmente do RS, sob
pena de uma degradação populacional injustificada e indicada pelo desleixo,
pelo abandono das autoridades encarregadas do setor público e privado.
Precisam
redirecionarem as suas diretrizes e determinações.
O
RS é o estado com maior percentual de idosos do país...será preciso desenhar?
Deveria
ser, nem tanto ao mar e nem tanto a terra: 2 meninas para os idosos e, duas
meninas para os demais...por enquanto.
Daí,
o jovem foi, fez toda a burocracia dos papéis, e, mais alguns minutos passou
por mim, já colhido o material, dando-me um “adeusinho”...
...voltei
a olhar a minha ficha de atendimento: PO26!
-:-
COTIDIANO
Esta crônica contém informação
e opinião do autor.
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