A VERGONHA DO 7 DE SETEMBRO
Beto
Carretta
...as ruas eram cheias de pessoas, velhos, jovens, crianças,
de estudantes, de povo verde-amarelo, de bandeiras, de bandas, de fanfarras, de
música, de hinos, de respeito, de honestidade, de probidade, de democracia, de
brasilidade espontânea e, liberta da contaminação imoral que hoje emana dos
corredores fétidos palacianos...
Ah! Como era lindo o Dia 7 de Setembro!
Este 7 de Setembro quem viu e viveu, foi como se fosse um
quadro de pintura, tal qual foi pintado “O Grito da Independência”, por Pedro
Américo de Figueiredo e Mello, hoje exposto no Salão Nobre do Museu Paulista
(Museu do Ipiranga)...lindo!
Hoje, o que se tem é uma fotografia em preto e branco,
totalmente desfocada, feia, triste, configurando plenamente o abismo que o “estado
brasileiro” construiu nesses anos, afastando-se totalmente de um povo, já
sofrido e penalizado por tantas desmesuras governamentais.
Os fétidos corredores palacianos...
Onde se abriga a corrupção, a desonra, os delitos de posses
indevidas, o desperdício inaceitável da riqueza tupiniquim, a indiferença, o
profissionalismo político, a incompetência perdulária administrativa, enfim, a
decadência, o crepúsculo, o descrédito de uma governança extremamente egoísta e
interesseira aos seus projetos pessoais.
Um governo que não deveria existir, aliás, não existe para o
seu povo, a não ser àqueles que estão subjugados pelas esmolas sociais.
O 7 de Setembro naufragou, soçobrou pelas mãos daqueles que,
deliberadamente, não possuem nenhum respeito pelos símbolos nacionais, ao
contrário, adotam outros, copiados de países que possuem muros, para aprisionar
os seus cidadãos.
O 7 de Setembro das antigas, nas ruas, nos gramados, nas
janelas das casas, nas praças, ainda ontem dava-se o valor devido as nossas
insígnias nacionais, ao contrário do que aí está, onde se vê apenas um punhado
de gente “encabrestados” pelos empregos sociais, do toma lá, dá cá.
Uma total imoralidade.
O 7 de Setembro...ao invés de manifestações de louvor pelas
administrações probas, eficientes, progressistas, viu-se na mídia nacional
faixas marqueteiras extravasando, errônea e politicamente, bravatas sobre a
soberania nacional.
Como afirmou o competente jornalista, Alexandre Garcia, em
uma das suas maravilhosas crônicas: “O povo brasileiro perdeu a soberania”.
Porque nada mais decide coisa alguma, lhe é imposto.
O autoritarismo, a ditadura disfarçada, a manipulação contaminada,
diluída, misturada com a corrupção, com o enriquecimento ilícito, com as mordomias
de um reino privado, pessoal, invulgar, cada vez mais desmerecem o 7 de
Setembro.
A palavra liberdade encontra-se “sub judice”.
O Estado, neste momento, luta arduamente, para levar o povo
brasileiro à sua colônia.
E o Dia 7 de Setembro?
Uma vergonha.
-:-
DESASSOSSEGOS
hcarretta.blogspot.com
Esta crônica contém a opinião do autor.
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