quinta-feira, 10 de outubro de 2019


ALARME FALSO

                                                                                                                                                                                                           Krretta

            Eu tenho plena certeza de que ninguém gosta de ser enganado.
            Na grande maioria das vezes que isso acontece, logo temos um sentimento de um grande vazio, de uma grande decepção, e toda essa energia negativa vira em revolta e irritação.
            Quando se tem um desejo, quando se tem uma vontade, quando se quer matar este desejo e esta vontade, nada pode ser mais reconfortador do que saciar estes sentimentos e, que tudo isso está a poucos passos de nós.
            Está ali, a sua disposição.
            Nada e ninguém pode ou vai lhe impedir, e isso te dá uma sensação de bem-estar, de alegria, de satisfação, como já dissemos...
            Não é maravilhoso?
            Claro que é, desde que você não seja ludibriado.
            Volto a repetir: ser enganado não é legal.
            Isso dá uma raiva na gente.
            E quando isso acontece, na maioria das vezes, no nosso dia-a-dia, a todo instante e a todo o momento?
            Quando?
            Não imaginam?
            Pois é quando nós vamos na cozinha e abrimos a geladeira.
            Isso não acontece com vocês?
            Ah, sim, ainda não falei, ou melhor, ainda não escrevi o que se passa nas geladeiras, ou ainda, o que tem nas geladeiras.
            Certa feita, aqui mesmo neste espaço conversei com vocês sobre os potinhos de tupperware, leia-se tópiuér...
            Aqueles fulanos que estão em grande abundância por todas as casas, em todas as prateleiras e, principalmente, dentro das geladeiras, seja embaixo ou no congelador.
            Facilita muito e já estão nos banheiros, nos quartos e, até mesmo na sala de estar.
            Faz aí um esforço de memória e diga para si mesmo: na sua casa, em quais as peças que encontramos os tópiuérs?
            Mas o lugar de origem é nas geladeiras.
            Ali eles se refestelam, ali eles fazem a festa, ali eles também nos enganam.
            Mas não é deles que eu queria conversar com vocês.
            Eu queria dizer que na geladeira somos enganados a todo o momento com garrafa de água vazia, pote de sorvete com feijão, refrigerante sem gás, manteigueira sem manteiga, queijo duro embalado em plástico, pote de geleia de pimenta do ano passado todo mofado, e mais, muito mais coisas que a vã filosofia de vocês vai alcançar sim, com toda a certeza, pois que acontece também.
            É demais.
            Daí você chega da rua em pleno verão de sol escaldante, suando bicas, louco por uma bela taça de sorvete de creme com chocolate, abre o congelador da geladeira e lá está um pote inteiro só para ti.
            Segura com suas mãos sedentas pelo desejo de abraçar aquela embalagem maravilhosa, e nota que ela está pesada, bem pesada...
            Está cheia de sorvete, você logo pensa, e, que vai se esbaldar naquela delícia.
            Tira o pote do congelador, pega uma taça e duas colheres, uma pequena e uma grande, vai na fruteira e pega uma banana (porque sorvete sem banana não tem graça), parte-a em rodelas, e, agora o tchan-tchan-tchan-tchan...
            @#*&¨$+*@#, é um pote de sorvete sim, mas com muito feijão dentro...
            Dizem que foi o Sr. James Harrison, um australiano que lá por 1856 inventou a primeira máquina refrigeradora..., pois então esqueceu de inventar ou criar as regras para o uso correto deste importante utensílio doméstico.
            Ou seja: está terminantemente proibido guardar feijão em pote de sorvete; não é permitido deixar garrafa de água ou refrigerante vazios na geladeira; revisar para que vidros e similares de conservas e geleias não fiquem de um ano para outro sem ser usado, manteigueira sem manteiga, nem pensar...
            Quem não odeia ser enganado?
            O tal do alarme falso...

quinta-feira, 3 de outubro de 2019


COMENTÁRIOS DE JOHN


QUAL A SAÍDA?

        Pela primeira vez, desde 2012, a Carris deu lucro.
        Na linha de frente das medidas tomadas, para reverter a sua situação, está a redução de despesas, ou seja, “cortar na carne”.
        Isso mostra que administrar com competência e desejo que a sua administração dê certo, é preciso antes de mais nada, seriedade.
        Inúmeras outras estatais e até mesmo prefeituras municipais deveriam tomar como exemplo.
        Muito mais ainda as empresas que estão no rol das privatizações.
        Quem sabe não revertem os seus destinos?


PODE ISSO?

        Lei Eleitoral – o fiscalizado é quem faz e aprova os parâmetros que serão seguidos pelos julgadores.
        Mais ou menos assim: “eu crio as penalidades que serão aplicadas em mim...”
        Pode isso, Arnaldo?


PIOR VAI FICAR

        Vejam o caso do funcionalismo da Prefeitura Municipal de Pelotas.
        O Executivo Municipal daquela cidade anunciou que vai atrasar os salários de seus abrigados e, em resposta imediata ao anúncio, o funcionalismo decidiu deflagrar greve.
        Saco vazio não para em pé.
        Sem produzir, sem trabalhar, não entram recursos e, não entrando recursos no caixa, os salários vão atrasar mais ainda.
        Será que entender que 2 + 2 = 4, é tão difícil assim?
        A consequência disso tudo vai sobrar para a população, que mais uma vez vai ficar a ver navios, ou seja, no prejuízo.


VELHA EXPRESSÃO

        O roto falou que o descosido roubava, que era corrupto e que não se juntava com esse tipo de gente.
        Caçoava do descosido, mas, certo dia descobriram que o roto roubava também, que era corrupto também.
        O descosido caiu na risada e, agora quem ria do roto era ele, mas, para jogar para a torcida, disse que as pessoas não deveriam caçoar do roto, pois primeiro era preciso dar-lhe o direito de defesa.
        Os antigos diziam: “Vejam só o roto rindo do descosido”.
        Modifica-se aqui, a velha expressão.
        Hoje diz-se: Olha só o descosido rindo do roto.


FAZENDO A HORA

        Está na imprensa, está nos noticiários, na mídia em geral muitas boas notícias.
        São diversos municípios do Rio Grande do Sul, empreendendo, criando novas opções no mercado de trabalho, investindo em empresas, acreditando que hoje, quem espera nunca alcança.
        Vamos citar três cidades bem aqui pertinho de nós: São Gabriel, Santa Cruz do Sul, Caçapava do Sul.
        E nós continuamos esperando quem nunca vai chegar.
        Benzadeus, que falta de vontade, de atitude, de dinamismo...
        Que desinteresse com a coisa pública, que falta de respeito com o povo, que incompetência...
       


DE NOVO, OS ENOCHATOS

                                                                                                                                                                                                               Krretta

- ...este vinho tem um blend agressivo, austero, brilhante, taninos marcantes, intenso, traduz “remembers” de folhas de plátanos tostadas no calor senegalesco que brota da superfície asfáltica...
         Lembram disso?
            Pois esse era o diálogo em um restaurante da capital do Estado, entre duas pessoas que estavam degustando um vinho, nada mais do que isso.
            São os famosos enochatos.
            Aqueles que estamos cansados de conhecer e que pensam saber tudo sobre vinho, mas na verdade são uns grandes chatos, entediantes, e enfadonhos bebedores de suco de uva fermentado.
            Não passam disso.
            Ah, porque vinho tem que tomar a temperatura ambiente, porque vinho não pode tomar com isso, com aquilo, tem que harmonizar com este prato, com aquele, esta uva tal deve ser bebida assim, a outra assado e, no fim, tomam Frei Damião de garrafão, branco/suave, na falta de outra bebida.
            Não que ninguém possa tomar Frei Damião de garrafão e ainda por cima suave (ao menos esses são mais autênticos...), pois cada um bebe o vinho que quer, do jeito que quer, quando quer...
            O que é maçante em toda essa história é que os enochatos adoram se meter no vinho dos outros., no paladar dos outros, na vida dos outros.
            E, a principal frase que gostam de proferir: “Vocês não sabem tomar vinho!”
            Ele é quem sabe, sabe até mais que os enólogos, que os sommeliers, que os deuses do vinho...
- Não, tu não podes botar o vinho na geladeira! Vinho não se toma gelado.
            Eu boto a minha garrafa de vinho aonde eu quiser, no sol, na geladeira, na água, no congelador...aliás, como diz um amigo meu: “Eu gosto de vinho em floquinhos”! Pronto!
- Ah, mas o vinho tem que abrir meia hora antes, para a bebida respirar.
            Pois o meu vinho já levei no plantão médico e coloquei ele no balão de oxigênio, já veio pronto e totalmente respirado.
            Aliás, já até comprei uma maleta daquelas com uma bombinha de oxigênio, particular, para levar comigo cada vez que vou beber vinho.
            Mas vão se catar!
- Vinho bom é vinho acima de 100 reais, porque esses vinhozinhos de vinte e cinco pila nem pensar, não entram na minha adega.
            Pois seu eu encontrar um D.V. Catena azedado, por cinco pila, eu tomo.
            Paladar não se discute e bolso muito menos.
            Feliz daquele que pode pagar mais caro por um suposto vinho bom, porque eu já vi muita gente comprar vinhos caríssimos e serem horríveis, pior que o nosso Frei Damião, branco/suave, ou estarem avinagrados.
            Depois, ficam com uma cara...
            Pois digo mais, eu agora estou adotando uma regra básica, principalmente nas rodas sociais “botequísticas”, “barísticas”, “restaurantísticas”, pois que está na moda as rodas de vinho, assim como rodas de capoeira, rodas de samba e rodadas do campeonato brasileiro de futebol: cada um bebe o vinho que leva!
        Ou seja, cada um com o seu vinho.
            Isto vai evitar muitos constrangimentos, muitas caras feias, muitas discussões, pois que cada um tem o seu paladar e gosta daquele vinho, caso contrário não o compraria e, muito menos o beberia, pois então, vai beber o seu vinho.
            Não me convidem para colocar o meu vinho na rodada e bebermos todos os que lá estiverem...
Se não entenderem, posso até desenhar: eu quero beber o meu vinho e, se o meu vinho acabar, levanto e vou embora, ou abro uma cerveja bem gelada, quem sabe até peça um Frei Damião branco/suave, com uma ou duas pedras de gelo dentro, pois o gosto é meu, o dinheiro é meu e eu bebo o que eu quiser e, como quiser.
            Chega de enochatos!
(A idade me fez perceber que: As pessoas mais caras são aquelas com quem a gente pode tomar o vinho mais barato e falar sobre qualquer assunto).