terça-feira, 19 de dezembro de 2017


                                                                                            
UMA DICA


                                                                                                                      Krretta

            Acho que será um grande favor para a humanidade depois de tudo o que vou falar aqui.
            Em conversas daquelas que a gente não deve deixar de praticar sob hipótese alguma, ou, em outras palavras, a verdadeira cultura (in)útil; outro dia expressei-me aos meus interlocutores de maneira que os fabricantes de shampoos e condicionadores deveriam dar mais atenção aos seus consumidores.
            Acontece que, tendo em vista que a população mundial, em breves anos deverá estar muito mais idosa do que é hoje, e, que, com o passar dos anos nossa visão vai ficando cada vez mais curta e os braços cada vez mais longos, necessário se faz dar conta de frascos destes produtos, mais diferenciados.
            E não é sobre a qualidade ou a eficiência, mas sobre a sua diferenciação.
É claro que sei que algumas marcas já fazem isto, ou seja, o shampoo tem a tampa de abrir para cima e o condicionador para baixo, ou vai dizer que vocês não tinham se dado conta disso?
            Ou melhor, será que os consumidores incautos ainda não tinham percebido esta diferença...?
            Bom, muito bom...
            Ao menos estamos servindo para alguma coisa.
            O que eu disse sobre a humanidade...
            Mas, tudo o que estamos falando aqui possui uma certa serventia, e, com toda a certeza os fabricantes destes produtos deveriam estar mais atentos aos seus consumidores e, para tanto, facilitar a vida de quem os usa, e, tem a visão um tanto quanto curta.
            Agora, confessem: quantas vezes vocês entraram no banheiro para tomar um banho dos deuses, despojaram-se das roupas, rumaram ao box, abriram o chuveiro, abusaram um pouco da natureza deixando a água cair alguns instantes sob o corpo dolorido e, ao iniciar suas rotinas "banhísticas", como não estavam de óculos, não sabiam o que era shampoo e o que era condicionador, dispostos na prateleira ou no suporte?
            E, assim, acontece todos os dias quando se vai tomar banho, é deveras irritante, não nos damos conta de colocar o shampoo na frente, pois vai ser usado primeiro, e o condicionador depois, todavia, um usuário desavisado deste banheiro, poderá inadvertidamente trocá-los, e, aí, novamente você vai estar enrascado, lavando seus cabelos com condicionador e enxaguando-os com shampoo.
            Digo-vos que eu simplifiquei a ação de lavar os cabelos, ou seja, para ter a certeza que vão ficar bem limpos, já misturo, juntos, shampoo e condicionador numa mesma vez, só assim não corro nenhum risco.
Mas, alguém precisa tomar alguma providência, alguém deve olhar para as pessoas que estão "com os braços curtos", diferenciar melhor as embalagens de shampoo e condicionador, e, enquanto isso não acontece, sugiro simplificarem a operação.

            Melhor assim.


A BENZEDURA
( Histórias Não Escritas do Banco do Brasil)
                                                                                Krretta
       
O serviço de fiscalização do Banco do Brasil sempre foi um caso à parte.
        Dali surgiram as mais hilárias e inimagináveis histórias deste grande conglomerado, muito principalmente pela necessidade da confecção dos famosos laudos de vistoria.
        Conviver com nossos mutuários no seu habitat foi uma dádiva de Deus, e, com toda a certeza nos fez mais “gente”, pela simplicidade e filosofias do homem do campo.
        Poderia ficar aqui por muito tempo dissertando sobre o assunto que, além de ser prazeroso, nos recorda os tempos felizes de um Banco o Brasil que já sucumbiu, pela ausência de seus velhos e apaixonados funcionários.
        Existem incontáveis reuniões de folhas impressas e montadas em capa que relatam tais histórias e, estão espalhadas em cada agência do BB, traduzindo as peculiaridades das suas regiões e de seus personagens.
        Muitas, com toda a certeza, vamos contar aqui, tal qual a que dá o nome a este título, A Benzedura.
        Pois nosso colega Zé, o mesmo que mandou um “88” (na nomenclatura dos PX é igual a = um beijo) para um cliente, também é o protagonista deste fato.
        Então, o Zé, que era fiscal da Creai desta feita, tinha um fusquinha que aquecia a bobina (os fusquinhas tinham essa mania).
        É sabido quando aquece a bobina deixar ela esfriar para virar arranque, podendo, dentro de algum processo, apressar esse resfriamento.
        Aliás, carro de fiscal é sempre uma caixinha de surpresa.
        Lembro que num Opala daquela época, nasceu um pé de milho no porta-malas.
        Mas, estava ele fazendo uma vistoria lá pelo lado do Cerro Partido e, embarcado vinha o mutuário mostrando as suas lavouras, quando, depois de uma grande campereada, o tal do fusca dá sinal de cansaço e apaga pelo aquecimento da bobina, bem dentro de uma sanga.
        Era perto do meio-dia, e a fome estava apertando quando se lembravam que tinha uma galinhada em cima do fogão de chapa, junto com uma panela de ferro com feijão, esperando-os.
        A pressa fazia com que o arranque fosse virado diversas vezes e, é claro que o carro não pegava.
        Então, o Zé pediu ao mutuário que se ajoelhasse junto com ele, pois ia benzer o carro.
        Para a benzedura um pano era molhado e colocado envolto na bobina, repetidas vezes e, a cada molhada faziam o sinal da cruz e o Zé proferia umas palavras indecifráveis.
        Ao cabo de alguns minutos e, notando que a bobina tinha esfriado, nosso fiscal convidou o mutuário para rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria, pedindo que se levantassem e entrassem no carro.
- Tem certeza, seu Zé?
- Confia na benzedura, homem! – respondeu.
O mutuário extremamente sério, concentrado da reza, aguardou ansioso o movimento da chave na ignição e, para o seu espanto, o fusquinha funcionou.
        Aleluia!!! Milagre!!! Jesus na causa!!!
Então, compenetrado nas suas palavras e convicto da benzedura, o mutuário falou:
- Seu Zé, acredito porque estava junto, pois nem meu pai contando eu acreditaria!

        O Zé virou Guru da redondeza, e até casamento foi convidado para oficializar.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O GUACHO

Krretta hcarretta@yahoo.com.br No Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno Cardoso Nunes e Rui Cardoso Nunes, tanto poder ser guacho quanto guaxo, que quer dizer: animal ou pessoa criado sem mãe ou sem leite materno. Pois bem, a narrativa que vem a seguir conta um conto e, também aumenta um ponto, mas, com toda a certeza, lá para Nova Bréscia vale bastante. O nosso Cantão do Abranjo também tem seus fatos. Um deles, e, que está registrado em fotografias, dia desses foi relembrado e dá conta de um carneiro muito sabido que viveu por lá. Pois um grande amigo, depois de ter construído a sua residência, houve por bem, para que os animais não entrassem na sua propriedade, também construir um mata-burro. Passado um tempo, notou que o referido carneiro, muito embora o mata-burro, passava de um lado para outro, sem nenhuma cerimônia. Como o carneiro passava de um lado para outro, se existia o mata-burro? Nunca ninguém, até então, tinha visto a artimanha do carneiro, até que um dia, para surpresa geral, puderam presenciar a astúcia do animal. Acontece que o carneiro, em sua brilhante sabedoria, para ultrapassar o mata-burro, ajoelhava-se, e, com as patas dianteiras dobradas, arrastava-se em cima do dito cujo, e, ultrapassava-o com muita facilidade. Por isso, nunca ninguém tinha entendido por que as suas patas dianteiras eram desprovidas de lã nas dobras (cotovelos), digamos assim. Ou seja, o carneiro rastejava em cima do mata-burro a cada vez que queria ultrapassá-lo. É verdade! Dizem que tem até fotografia. E, por conta deste carneiro, outras histórias surgiram deste mata-burro, inclusive que alguns cavalos também cruzavam no mata-burro, pisando com as quatro patas, de madeira em madeira. Inclusive, que as ovelhas, principalmente as de raça para abate, são tão espertas que deitam-se para ultrapassarem por baixo do último fio de arame, no entanto, destas não se tem nenhum fato registrado em foto, mas, que também é verdade, isto é, e, afirmado por outro amigo presente ao relato do carneiro rastejador. E o guacho? Pois a prosa ia se desenvolvendo alto do chão, e ninguém deixava a “bola” quicar que já enfiava o pé, quando surgiu a história do guacho. Inspirado no relato do carneiro rastejador, dos cavalos equilibristas, das ovelhas que deitavam-se no chão para ultrapassarem os arames, que outro grande amigo apareceu com o “seu” guacho. Conta ele que uma das ovelhas morreu ao parir o cordeiro, e, como é de costume, o capataz do Cantão do Abranjo passou a tratá-lo com leite na mamadeira, para que se fortalecesse e se criasse. Pois o guacho foi se criando e, mantendo uma grande harmonia com os cachorros lá do Cantão. Quando chegava gente e os cachorros saiam latindo e correndo, lá ia o guacho junto, corriam nos carros e o guacho junto. Era os cachorros sair latindo numa capivara pelas barrancas do Camaquã e lá ia o guacho junto, corria uma lebre e o guacho junto, se jogavam no açude para se refrescarem e o guacho junto, tornando-se parceiro e amigo dos cães. E foi num belo dia que, numa churrascada ao ar livre, este nosso amigo jogou um osso com carne para os cachorros e, para a sua surpresa, o guacho num pulo cinematográfico abocanhou o osso e se mandou “a la cria”, para degustá-lo. Que tal te parece, vivente?