ESCREVER TEM MUITO, PARA QUEM... NINGUÉM...
Beto Carretta
Isto é uma daquelas coisas que, toda a vontade que você
sempre possuiu em grifar as suas impressões sobre a vida, sobre o cotidiano,
sobre as coisas erradas, as coisas boas, alegres ou tristes, justas ou
imperfeitas, o bem ou o mal, enfim, caem totalmente por água abaixo.
Ninguém, hoje em dia, tem algum tempo para parar e ler uma
opinião que não seja dos “grandes”.
Ser peixe pequeno no mundo da informação, das crônicas, das
opiniões, é a mesma coisa que não ser ninguém.
Ninguém!
Somos apenas e tão somente um parêntese, ou, como na antiga
matemática dos vetustos bancos escolares, um conjunto vazio.
Escrever para quem? Mas, ninguém te pediu mesmo!
Então, como as coisas acontecem...primeiro foi o fim de uma
coluna de jornal, depois foi o outro jornal, depois, foram-se os livros
(acabaram-se os livros...escrever para quem?) mas, então e quem sabe, uma tábua
de salvação: o blog!
Como fogo de palha, mesmo porque, nem mesmo se teve um
início, quando naturalmente já se chegou ao fim.
Ora blog! ...os eternos sonhadores.
Escrever para quem?
Ninguém.
Hoje, se escreve para nós mesmos.
Na tentativa da criatividade neste momento inoportuno, triste,
muito triste e totalmente cabisbaixo, nada mais restou a não ser abrir uma
pasta no “drive” do computador e, batizá-la: ETERNIDADE.
Que idiotice!
Mas, foi o que restou.
Sabe-se lá, quando da morte, alguém algum dia pode ter a
curiosidade de abrir o seu computador e, lá naquela pasta, ETERNIDADE, encontrar alguma coisa de fundamento para ler,
se é que vai ter vontade.
A vontade de “te” ler...duvido muito.
Ter o que escrever? Ah, isto tem e “aos montes”!
Vivemos num mundo totalmente diverso, cheio de nuances, de
altos e baixos, de alegrias e grandes tristezas, de doenças e de ciência, de
dias bons e ruins, de sol e chuva, tragédias e superações, vivemos num mundo
extremamente turbulento, onde não tem como não se ter opinião das muitas coisas
que acontecem.
E, para quem tem “o bicho carpinteiro” de grifar suas
opiniões, suas ideias, suas conjecturas, filosofias, perguntas e soluções, o
papel em branco é um desafio que, aos nossos olhos, não duram nem um milésimo
de segundos.
Compor, conceber, criar, a matéria prima que sempre está a
flor da pele, eis aí nosso grande trunfo, a sofreguidão de por em caracteres
alfabéticos nossa vontade de “explodir” em prosa, verso, resenhas, a ideia rotulada
pelos acontecimentos.
A crônica.
Escrever tem muito, todavia, para ninguém...
Que se danem!
Fica a ETERNIDADE.
-:-
ECOS
hcarretta.blogspot.com
Este texto contém informação e
opinião.
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