domingo, 6 de setembro de 2026


ESCREVER TEM MUITO, PARA QUEM... NINGUÉM...

 

                                                                                     Beto Carretta


         Isto é uma daquelas coisas que, toda a vontade que você sempre possuiu em grifar as suas impressões sobre a vida, sobre o cotidiano, sobre as coisas erradas, as coisas boas, alegres ou tristes, justas ou imperfeitas, o bem ou o mal, enfim, caem totalmente por água abaixo.

         Ninguém, hoje em dia, tem algum tempo para parar e ler uma opinião que não seja dos “grandes”.

         Ser peixe pequeno no mundo da informação, das crônicas, das opiniões, é a mesma coisa que não ser ninguém.

         Ninguém!

         Somos apenas e tão somente um parêntese, ou, como na antiga matemática dos vetustos bancos escolares, um conjunto vazio.

         Escrever para quem? Mas, ninguém te pediu mesmo!

         Então, como as coisas acontecem...primeiro foi o fim de uma coluna de jornal, depois foi o outro jornal, depois, foram-se os livros (acabaram-se os livros...escrever para quem?) mas, então e quem sabe, uma tábua de salvação: o blog!

         Como fogo de palha, mesmo porque, nem mesmo se teve um início, quando naturalmente já se chegou ao fim.

         Ora blog! ...os eternos sonhadores.

         Escrever para quem?

         Ninguém.

         Hoje, se escreve para nós mesmos.

         Na tentativa da criatividade neste momento inoportuno, triste, muito triste e totalmente cabisbaixo, nada mais restou a não ser abrir uma pasta no “drive” do computador e, batizá-la: ETERNIDADE.

         Que idiotice!

         Mas, foi o que restou.

         Sabe-se lá, quando da morte, alguém algum dia pode ter a curiosidade de abrir o seu computador e, lá naquela pasta, ETERNIDADE,  encontrar alguma coisa de fundamento para ler, se é que vai ter vontade.

         A vontade de “te” ler...duvido muito.

         Ter o que escrever? Ah, isto tem e “aos montes”!

         Vivemos num mundo totalmente diverso, cheio de nuances, de altos e baixos, de alegrias e grandes tristezas, de doenças e de ciência, de dias bons e ruins, de sol e chuva, tragédias e superações, vivemos num mundo extremamente turbulento, onde não tem como não se ter opinião das muitas coisas que acontecem.

         E, para quem tem “o bicho carpinteiro” de grifar suas opiniões, suas ideias, suas conjecturas, filosofias, perguntas e soluções, o papel em branco é um desafio que, aos nossos olhos, não duram nem um milésimo de segundos.

         Compor, conceber, criar, a matéria prima que sempre está a flor da pele, eis aí nosso grande trunfo, a sofreguidão de por em caracteres alfabéticos nossa vontade de “explodir” em prosa, verso, resenhas, a ideia rotulada pelos acontecimentos.

         A crônica.

         Escrever tem muito, todavia, para ninguém...

         Que se danem!

         Fica a ETERNIDADE.

-:-

ECOS

hcarretta.blogspot.com

Este texto contém informação e opinião.

Direitos Reservados na Lei 9610/98. 

Nenhum comentário: