terça-feira, 22 de outubro de 2024

 

TRAGÉDIA NO ESPORTE

 

                                                                                              Beto Carretta

 

 

          Eram jovens.

          Tinham uma vida pela frente e um futuro brilhante, pois escolheram o esporte como instrumento das suas aspirações.

          Escrevo esta coluna quando são exatamente 07h51m, do dia 22/10/2024 e, neste exato momento, famílias de sete jovens, de um coordenador e de um motorista, lamentam profundamente suas partidas, precocemente, mas, com toda a certeza e, quero muito crer nisso, devem estar ao lado do Nosso Criador.

          Foi um acidente terrível.

          Mas, me sinto confortado, porque tudo nesta vida são os desígnios de Deus e, nada acontece por acaso, a não ser por Sua vontade.

          Após conquistar sete medalhas no remo, em SP, equipe de Pelotas-RS, mais precisamente do projeto social Remar para o Futuro, sofreram um acidente no litoral paranaense, na BR-376, em Guaratuba, onde morreram nove pessoas.

          Não só o Brasil, como o Rio Grande do Sul, Pelotas e todos nós, estamos consternados com o acontecido, pois que, além do coordenador do projeto, do motorista da van que transportava os atletas, sete jovens entre 15 e 20 anos, pereceram neste fatídico acidente.

          Lamentável.

          Muito mais estou desolado porque também, lá na década de 1970, eu muito participei destas excursões para competir em outras cidades, quando viajávamos de ônibus para estes encontros.

          Foram inúmeros JIRGS, intercâmbios, campeonatos, torneios, e lá estávamos nós competindo.

          Dormíamos em hotéis, em alojamentos dos quartéis do exército, em escolas públicas das cidades, enfim, passei por tudo aquilo que na minha juventude e como atleta de vôlei e basquete, acontecia.

          Hora ou outra, o ônibus estragava, a kombi (naquela época não existia van) pifava e, geralmente em estradas de chão batido, lá ficávamos nós empenhados, mas sempre com muito bom humor, pois a juventude nos dava esta leveza, principalmente, nos percalços da vida de atleta.

          E, olhando para toda essa tragédia, não custa nada, ainda hoje, levantar as mãos e dar Graças a Deus, por termos passados incólumes por toda essas nossas jornadas.

          Quem viveu estes momentos de atleta, sabem muito bem de tudo isso que falo, das viagens, dos veículos de transporte que nos carregavam, dos percalços que passávamos, dificuldades que vivíamos, mas que o amor pelo esporte ajudava-nos, e muito, a transpor tudo isso e, mais, muito mais, sempre voltamos são e salvos para as nossas casas.

          Todavia, estamos muito tristes, pois o momento agora, lá em Pelotas-RS, no Centro Português, familiares, amigos, companheiros do remo e, tenho certeza de todos os outros esportes, lamentam profundamente a perda de todos esses atletas, do coordenador do projeto e do motorista, pois nos deixaram abruptamente, fazendo o que lhes era prazeroso: competir.

 Eis o consolo.

          Ficam em nossas memórias para sempre, do mesmo jeito que sete medalhas vão representar todo o esforço, a competitividade e o brilhantismo destes extraordinários atletas, sendo que podemos afirmar, com toda certeza, perderam as suas vidas no esporte e pelo esporte.

          Estamos todos de luto.

 

 

 


sexta-feira, 18 de outubro de 2024


 

VOCÊS ACHAM QUE DEU CERTO?

(Cismas – Coluna de Opinião)

 

                                                                               Beto Carretta

 

 

          Todos nós sabemos que o custo de vida, depois da pandemia, e com secas e inundações, aumentou e muito.

          Hoje, ao entrarmos num supermercado, podemos nos preparar porque as mercadorias nas prateleiras estão de assustar.

          Os preços aumentaram e vocês já perceberam que a quantidade diminuiu?

          Vou lhes dar dois exemplos que ainda ontem eu estava comentando: o papel higiênico, que antes tinha 40/50m, hoje você o encontra com apenas 30m e, em um pacote com 12 rolos, você deverá pagar em torno de R$ 21,13; um sabão em pó para máquina de lavar roupa, que antes vinha em embalagem de 1kg, hoje baixou para 800g, em compensação o preço subiu para em torno de R$ 16,99.

          Sendo assim, não tem como o custo de vida neste país ser tolerável.

          Muito antes e pelo contrário, pois ele está insuportável.

Eu tenho a curiosidade de saber quem foi que autorizou a redução das medidas das embalagens e o aumento dos preços...quem foi?

Já de algum tempo, esse nosso vício salutar de tomar chimarrão também foi “violentado”.

Quem não reduziu a sua cuia, para não gastar tanto assim na erva-mate?

Um quilo da nossa tradicional erva, passou de 4/5 pilas, para hoje, R$ 13,38.

Viram...muita e muita gente foi nas agropecuárias e casas do ramo para adquirir uma cuia menor, vai dizer que não?

Eu tomava chimarrão numa cuia de estimação, todavia ela carregava um “eito” de erva-mate e, portanto, não tive outra alternativa e comprei uma cuia um pouco menor.

Tenho um amigo meu que sempre diz:

- Me nego a tomar chimarrão em “piorra”.

- Bueno, parceiro “véio”, vais ter que abrir a guaiaca!

          Em compensação, uma outra amiga toma quatro/cinco cuias de chimarrão e, vai logo oferecendo para a visita se ela não quer que faça outra “ceva”, que aquela já “tá lavada”.

- Mas Fulana, tá caro a erva-mate!

- Só que tu tens que te lembrar que uma cerveja custa muito mais caro que 1kg de erva-mate e faz quantas cuias de chimarrão?

          Não deixa de ter razão essa minha amiga.

          Mas voltando “a piorra”, que fez com que a gauchada toda reduzisse as cuias, para economizar na erva-mate, pois na carona de toda essa história, uma multinacional lançou uma cuia prá gaúcho de apartamento, só pode ser.

          A mesma que lançou aqueles copos que para tomar uma cerveja, um chope, uma caipirinha é maravilhoso, não restam dúvidas, pois conserva as bebidas totalmente geladas e também conserva o gelo por muitas e muitas horas, agora, colocou no mercado uma cuia do mesmo material e, com o apelo comercial de que o chimarrão fica sempre quente.

          A erva não esfria e a temperatura da água (na garrafa térmica deles, também), vai estar sempre como você gosta.

          Falei em papel higiênico, em sabão em pó e na nossa estimada erva-mate, contudo, a minha grande pergunta é: será que essa cuia, de metal (eu presumo), do tamanho de uma “piorra” e que está aí para conservar as temperaturas da água e da erva-mate, vocês acham que DEU CERTO?

 

 

quarta-feira, 16 de outubro de 2024


VAMOS FALAR DE LIBERDADE?

(Cismas – Coluna de Opinião)

 

 

                                                                                Beto Carretta

 

 

          Tomemos como exemplo a nossa Capital do Estado, Porto Alegre-RS.

          Os dados são atualíssimos, pois aconteceram nestas últimas eleições, tanto para prefeito como para vereadores.

          Absurdo?

          Definitivamente não!

          Pois que as coisas neste país estão mudando e, parece-nos que o povo está caindo em si, ou seja, tomando consciência dos seus direitos, com a avançada aversão aos políticos e à política.

          Estamos falando neste número que parece uma incredulidade, mas é totalmente verdadeiro: a abstenção nestas últimas eleições na Capital do Estado que obteve um índice de, nada mais e nada menos do que 31,5%.

          Em nosso pequenino mundo chamado Encruzilhada do Sul, ela (a abstenção) chegou ao patamar de 20,38%, o que se obtém o número de 3.858 eleitores que não foram às urnas.

          Estamos no caminho de que o voto, por paradoxal que seja, já não é mais obrigatório neste país.

          E, por quê?

          São diversas as nuances, todavia, a que mais chama a atenção é o total desinteresse dos eleitores a respeito de política, deixando-nos a impressão que a responsabilidade de tudo isso é dos próprios políticos.

          Corrupção, péssimas administrações, locupletação, interesses escusos, salários, penduricalhos...e por aí se vai...

          Ir votar para quê?

          Ainda bem que a multa pelo não comparecimento às urnas, é irrisória.

          Aliás, não deveria nem existir, pois aí sim é liberdade.

          Todos nós sabemos que a abstenção não interfere em nada, pois é uma decisão individual e soberana, portanto, deveria ser um adendo a nossa própria liberdade.

          Ah, mas os “ausentes” darão carta branca para que os eleitores que vão às urnas elejam a quem eles querem...

          E, daí?

          Pois então, me digam: se você não simpatiza com nenhum candidato, se você acha as opções totalmente fora de seus anseios, se você tem a “obrigação” de votar, logo, você vai votar com o “fígado” e não com o coração, não com responsabilidade, não com convencimento... você vai sair de casa contrariado.

          Vale a pena votar?

          Não me venham com essa de que o voto é a sua arma, o voto é uma atitude democrática, o voto é uma expressão de cidadania... são filosofias vencidas, suplantadas, arcaicas.

          Porque a política perdeu todo o sentido, os políticos foi quem enlamearam a natureza, os atributos, a vocação da política.

          Ninguém mais acredita, estamos todos desencantados, principalmente pela incomensurável distância entre o que  prometem e o que fazem.

          Tanto os políticos quanto a política perderam a total transcendência, pelo prisma dos brasileiros honestos e responsáveis.

          Eles (políticos e política), não representam mais a possível realização dos anseios do povo.

          Sendo assim, a abstenção é a total liberdade para todos nós, em qualquer eleição, pois é uma decisão individual e soberana.

          E, mais: o voto é um direito e não uma obrigação!

          Tenho dito.