quarta-feira, 19 de agosto de 2026

 


RATO EM GUAMPA E

SUAS INTERPRETAÇÕES

 

                                                             Beto Carretta

 

Esta é uma situação bastante complicada, vai dizer que não?

Para frente não tem saída, por outro lado, é apertado, pode não ter volta...

Eu diria que é uma citação popular, ou, talvez um apotegma, quem sabe um aforismo, ou um ditado, no entanto, não deixa de ser, ou melhor, de pertencer aos palavreados populares.

Sei lá, mas deve existir por aí, e, se não fizeram deveriam ter feito, ou melhor escrito, um livro destes adágios...seria deveras interessante.

O que mais se lê e se ouve, no que se refere a estes ditados, são em conversas e prosas, onde eles aparecem, dando-nos a infinidade das suas interpretações, pelas mais diversas situações.

O que é do povo, ninguém tira.

Ah, sim, inventam, aumentam, comentam, todavia, a voz do povo é soberana, portanto e, mais uma vez eles (os ditados) estão aí: “A voz do povo é a voz de Deus!”

Ainda ontem me foi contado um caso jurídico, donde a defesa de um réu, em meio a sua explanação acalorada, no intuito de convencer a sua tese aos jurados, aplicou esta citação:

- Senhores jurados, meu cliente não tinha mais por onde sair, apertaram-lhe demais e, fez o que fez, porque estava “que nem rato em guampa!”

Esta é uma das interpretações deste axioma, ou seja, o guasca não tinha por onde sair e, foi obrigado a levar tudo por diante, a sua maneira e do seu jeito.

Apertado “que nem rato em guampa”!

Mas, também existe outra interpretação.

Em outra ocasião, aqui mesmo na nossa querida Encruzilhada do Sul, a Estrela Solitária da Serra do Sudeste, certo vivente do nosso interior, acostumado em pata de cavalo e carroça, fez uma boa colheita de milho e, lá se foi comprar um Jipe, ou, Jeep, como queiram.

Veio na cidade, fez as suas compras do mês, “balaqueou” com o seu potente e utilitário Jipe e, deu de volta prás casas.

Antes de chegar na sua residência, havia um passo, donde muitas vezes suas montarias refugavam o passo e, desta vez, como nosso amigo não estava acostumado com a sua nova condução, ao chegar no passo, ao invés de engatar uma marcha “primeira”, engatou uma ré e, lá se foi o Jipe prá trás, num solavanco, e logo prendeu-lhe o grito:

- Mas até tu tá ressabiado!!

Eis, então aí, uma outra interpretação de “rato em guampa”, ou seja, se não tem saída, volta a cabeça...dá de volta, refuga o caminho.

Bah! Esta de “volta a cabeça”, tem outra história muito boa também...”volta a cabeça boi”...quem sabe outro dia eu conto...

Aperto e a volta, no que isto diz respeito, interpretar os adágios populares é bastante interessante, pois pode ser dúbio o seu destino, que nem mesmo o “rato em guampa”, ou atropela ou refuga.

Ah, a voz do povo...

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COTIDIANO

hcarretta.blogspot.com

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