quinta-feira, 4 de junho de 2026

 


SOBRANCELHAS...preteridas?

 

                                                                             Beto Carretta

 

        Quantas vezes você se olhou no espelho e, enxergou suas sobrancelhas?

        Tanto faz se você recém levantou de seu sono e de seus sonhos, se você foi fazer seu asseamento bucal após as refeições, se você está se secando após um banho reconfortante...você mirou as suas sobrancelhas?

        Lhes deu o devido valor?

        Também tanto faz, homens ou mulheres...definidos ou não, até mesmo aqueles que sabe exatamente quem são e para onde vão...

        A grande e também valorosa questão: quantas vezes na vida você penteou as suas sobrancelhas e lhes deu a importância necessária?

        Aparou-as...? Penteou-as? Acarinhou-as?

        Aquelas sobrancelhas espessas, desorganizadas, com fios brancos e desalinhados...quantas vezes na vida você as emparelhou, as tratou com o devido respeito, dando-lhes o valor que merecem, pois que são componentes do seu visual, quer queira ou não?

        Todos nós sabemos que elas existem, que elas estão ali, no nosso semblante, na configuração completa de nossas imagens, no frio e enregelante termo, direto e sem rodeios, ou seja: na cara!

        Pois é, eu também sei que elas, as sobrancelhas, os nossos riscos de podem ser pontos de interrogação, que podem ser um caminho, uma seta a seguir, que sobem e traduzem seriedade, respeito, ira, ou que abaixam e se deixam admitir pela humildade e aquiescência da vida, sim, elas ali estão, e você, as veem com naturalidade e companheirismo? Com amor e respeito?

        Com parceria, amizade e conforto, pela complementação, apêndice, conclusão ou remate de uma figura desenhada pela vida e, agora e sempre, ali, na sua frente, no espelho da sua casa...você as ignora?

        Quando e quantas vezes você as tratou com um grande carinho, com um grande respeito, com amizade e paciência, com parcimônia e quietude, muito também pelas atribulações, angústias e adversidades que os dias de hoje nos trazem?

        Sei lá...onde será que está o sentimento que nos impede de agir com a falta de consideração, com o olvidar, no pretérito do esquecimento, da omissão e ablepsia das suas existências?

        Reconhece-las, é sermos fiel à sua existência, é a mais alta forma de dignidade, pois quando as descobrimos, deixamos de mendigar gratulações, ao conhecer seus próprios valores, sem depender de qualquer vontade alheia e, seguirmos caminhos...

        Nem “as”, nem “das”... pois que o que aí está posto, não é só sobre sobrancelhas...

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MISCELÂNEA

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