quarta-feira, 24 de junho de 2026


 

O BRASIL NÃO TEM POVO...

 

                                                                                       Beto Carretta

 

         Esta frase, ou esta filosofia, ou este adágio, como queiram, nos dá a real dimensão do país em que vivemos.

         E, não é injusto não!

         Sabem o por quê?

         Porque somos um povo plácido (está lá, em nosso Hino Nacional), brando, totalmente sossegado (carnaval, samba e futebol), que nunca e jamais pensa em algum dia, mudar tudo isso que se passa diante dos seus olhos, aliás, também dos meus.

“O Brasil não tem povo, apenas público. Povo luta, público assiste de camarote.

Lima Barreto, início do século XX

         E, de lá para cá, nada, absolutamente nada mudou, a não ser um tsunami chamado corrupção, ladroíces escandalosas, enriquecimentos ilícitos, falcatruas,  tudo diante dos nossos olhos...e o que fizemos, ou tentamos fazer?

         Patavinas!

         Se dispusermos nossa vã filosofia a pensar no dito de Lima Barreto, vamos chegar à conclusão de que, a mais de cem anos, tais palavras ecoam como uma grande denúncia.

         Quantos de nós (todavia, e é bom lembrar-vos, no ano de 2016, eu tentei...simplesmente não quiseram...) decidiram ser agentes de transformação neste país?

         Sim, falo de política, falo, dentro da responsabilidade, da honestidade...

 Falo da probidade, da rectidão, da honradez, respeitabilidade e integridade, no rumo de transformar este Brasil em um país de alicerces sólidos, de princípios embasados na moral, no pudor, na decência, donde deve refletir um comportamento justo, perfeito, íntegro...

“...Sirvam nossas façanhas, de modelo à toda Terra...!”

Ou será que a boa cadeira macia e confortável, na plateia, somente observando a todas essas mazelas brasileiras que implodem a economia, a segurança, a saúde, a educação tupiniquim e, tantos outros seguimentos, é a melhor coisa a fazer?

Você pressupõe de que não temos nada a ver com isso, de que não estamos implicados neste caos, neste turbilhão de escândalos (INSS, Master...), de corrupção, de leis aprovadas na calada da noite, da ditadura judiciária, etc. e tal...como vamos ainda deixar que o corpo político deste nosso Brasil possua as rédeas e, nada fazermos?

Em que prateleira das suas aspirações por um Brasil melhor, está a sua indignação?

Estamos, definitivamente vivendo como em novelas da televisão brasileira, ou seja, nossa realidade está sendo tratada como ficção, pois que, logo após o epílogo do folhetim, vem o esquecimento, a cortina de fumaça, quando nossos direitos estão sendo amarfanhados, nossa vida precarizada, nossas oportunidades destruídas...

Estamos sendo, nada mais e nada menos do que apenas e tão somente, espectadores, quando a realidade se impõe de que somos, decididamente, os personagens afetados pela trama.

Ah, sim, assistir é muito mais exequível, tranquilo, confortável do que atuar, agir, labutar.

Afinal de contas, onde foi parar nossa consciência crítica, nossa disposição para o embate, nossa braveza?

Estamos fragmentados em ações estéreis, em extremismos inócuos, enquanto nossos inimigos estão blindados em seus bastidores, arregimentados em armas e canhões ao longo de todos esses anos, pela impunidade e corrupção.

Pela nossa acinesia, infelizmente.

Até quando seremos público de auditório?

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CISMAS

Esta crônica contém informação e opinião.

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hcarretta.blogspot.com

 

        

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