quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

                                                   



                                                        AH, SE EU PUDESSE...

 

                                                                  Beto Carretta

 

William Shakespeare foi quem disse: “Há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”.

Sei lá quem, e, se realmente isto foi um real desejo seu, mas, uma pessoa afirmou que, se pudesse voltar ao passado, ele daria um sopapo em seu próprio rosto...e, depois voltaria bem mais calmo para esta sua vida.

Vai entender...

Num primeiro momento, o que nos remete ao entender da sua vã filosofia, está as grandes burradas que fez no passado.

Para tanto, a bofetada era para se vingar de si mesmo e, poder voltar a caminhar em paz.

Pois é, não deixa de ter razão, afinal, a encrenca é com ele mesmo, todavia, e, talvez com outras atitudes, nós também faríamos alguma coisa, se tivéssemos a oportunidade de ficarmos frente a frente conosco mesmo, lá no passado.

E você, o que faria?

Estas observacionalidades, o empirismo, oposto ao racionalismo e a metafísica, mesmo que não existam experiências comprovadas com qualquer manifestação concreta sobre o assunto, nos remetem à vontade de que isso pudesse ser feito, ao menos uma vez na vida.

Vai dizer que não?

Eu, por exemplo, gostaria de ir até lá, no passado, e, ficar frente a frente com o Carretta.

Lhe diria com todas as letras: estou aqui para te pedir perdão!

Perdão por eu nunca ter me perdoado, ou, te perdoado, pelas coisas que fiz de errado (maldito perfeccionismo), pelos intensos momentos de sempre querer e, cada vez mais, ser forte, ser invencível, enquanto o corpo e alma gritavam por socorro, por paz, por sossego, por momentos de absolvição...

Querer ser perfeito, querer não errar, querer socorrer, ao passo que o socorro teria e deveria ser para comigo mesmo, ou para contigo...eu errei, errei comigo mesmo e, portanto, estou aqui para te pedir perdão.

Eis aí a verdadeira coragem de reconhecer o que nos deixou, em certos momentos, tristes, consternados, lúgubres e, tudo isso transformou a vida em percalços...perdão.

Os olhos alheios enxergam o nosso invólucro, todavia, é no coração que estão os nossos valores e os nossos sentimentos.

Lembrem-se: a cura não vem do esquecer, mas sim do lembrar e não sentir dor.

Tens mágoas, Carretta?

Tenho-as, mas quem me magoou foi eu mesmo, em não saber me perdoar e criar expectativas, na vida e nas pessoas.

A vida nunca me ensinou como eu poderia ser forte, ela sempre exigiu de mim atitudes fortes, sem erros, perfeito...confesso que eu cansei e, por isso, peço perdão, a pessoa que eu fui, já não existe mais...

Eu não quero ser forte, pelos dias que ainda restam...Não quero conselhos. Quero apenas olhar para o infinito e exercer o meu direito de ficar em paz comigo mesmo e, com o passado...

Ah! Se eu pudesse...

Hoje carrego aprendizados, cicatrizes e coragem...em pedir perdão ao pretérito, quiçá tenha sido perfeito.

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MISCELÂNEA

hcarretta.blogspot.com

Esta crônica contém informação e opinião.

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