OS MELHORES MOMENTOS
Beto Carretta
É uma questão de teoria, empírica, todavia, vale o que você mais atribui valor, ou seja, “na melhor idade ou no “melhor tempo”.
Em minha vã filosofia ( há mais coisas entre o céu e a terra...o que sonha nossa vã filosofia – Shakespeare), tenho plena certeza de que existe aí uma grande e abissal diferença.
Alguém, pirado ou pirada, ou não, sei lá, resolveu denominar a idade dos 60+ de “melhor idade”.
Não subscrevo, decididamente não é a melhor idade e sim, na minha concepção, é o “melhor tempo” de nossas vidas, e, está definido em fatos e ações espessas, como o concreto armado, nas nossas experiências, vivências angariadas durante toda essa caminhada.
E tem mais, não só vivência, tem mais sabedoria, tem mais aprendizado, tem mais estabilidade emocional, tem mais resiliência, serenidade, mansuetude, enfim, são tantos os atributos que nos tornam mais suaves.
A cada passo dado, sabemos muito bem de que o caminho, quer se queira, quer não se queira, vai se restringindo, contudo, e por este prisma, sabemos muito mais em aproveitar todos os nossos instantes, segundos dourados em altos quilates, mesmo que confrangidos em nosso peito.
“É a vida...viver e não ter a vergonha de ser feliz...”
Sim, somos eternos aprendizes.
O melhor tempo está no que queremos, no que gostamos e, no que fizemos, como ter uma casa no campo e repor a vida, ter a certeza dos amigos do peito e nada mais...
Em nosso melhor tempo o que queremos é ter o tamanho da paz, conhecer o limite de nosso corpo, respeitá-los e nada mais.
Um churrasco de carne gorda, um belo exemplar de vinho, violão, canções, risadas, filosofias e, nada mais.
Faça-se o que quiser, desde que respeitemos os limites das nossas liberdades, sem invadir a amplidão dimensional de nossos iguais.
Ah, as amizades, as risadas, a convivência, a solidariedade, as biritas, os causos, a música, a dança e os nossos “anjos”...
“...olha que coisa mais linda, mais cheia de graça, é ela, menina, que vem e que passa...” Sim, esta não é a melhor idade, É O MELHOR TEMPO!
A melhor idade passou, ficou para trás, quando tudo era bem mais tranquilo, não haviam boletos a ser pagos, responsabilidades a serem cumpridas, haviam muito poucas doenças, o compromisso era só estudar, brincar era a tônica, como num acorde, a nota mais importante.
Claro que sim, éramos felizes, mesmo porque, depois, vieram os namoros, as reuniões dançantes, a Jovem Guarda, e a responsabilidade além de somente estudar, era ter a coragem de pegar na mão da namorada, porque e quase sempre, elas não davam muita chance assim, não.
A vida passa telefono e você já não me atende mais...”
Recatadas, prudentes, ainda mais quando o pai ou a mãe a esperavam na porta da casa, nas vindas dos colégios, de olho somente em nós, os pretensos namorados.
Além, é claro, das bandas de carro do amigo, das calças Lee boca-de-sino, botinhas RC, e cabelos compridos, o toca-discos portátil, os LPs...”era um garoto, que como eu, amava Os Beatles e os Rolling Stones”...
Mesmo que sem dinheiro sobrando, mesmo que as dificuldades em pagar os colégios particulares, as melhores roupas, melhores casas, mesmo tendo muitos desejos alijados de nossas vidas, mas, com os supernos pais, esta sim FOI A MELHOR IDADE!
Duas épocas, dois andamentos, duas árias, duas vidas, mas, OS MELHORES MOMENTOS!
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MISCELÂNEA
Esta crônica contém informação e opinião.
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