Deixa uma de “indeis”...
Beto Carretta
“Indeis”,
estava concebida nas minhas anotações: tenho que descobrir de onde saiu esta
expressão.
“Indeis”!
Conheci-a
nesta terra abençoada, de Encruzilhada do Sul, quando as pessoas falavam-na.
- Vou deixar aí, de “indeis”.
Não
foi difícil entender o seu significado, pois que as atitudes de onde originavam
esta expressão, eram bastante claras e objetivas.
- Fica de “indeis”!
Contudo,
ao procurar o seu significado, a sua origem, de onde saiu, de onde veio e como
veio, devo dizer a vocês que foi bastante difícil.
Aliás,
devo dizer, ou melhor, aqui escrever, de que o significado de “indeis”, não estou
absolutamente convencido de sua natureza.
Até
mesmo a IA não conseguiu decifrar, sempre dizendo que a palavra é um erro
ortográfico e que não é possível encontrá-la.
Não
me dei por satisfeito.
E,
então, dentre as pesquisas, encontrei, talvez, a que mais se aproxima de seu
significado e com a grafia “endeis”, do verbo “endear”.
Fui
direto no dicionário da língua portuguesa e, pasmem, lá não existe o verbo “endear”.
Como
assim, não existe?
Pois
é, não existe porque são registros antigos, arcaicos e, como todos nós sabemos,
as palavras possuem vida, nascem, crescem e morrem, talvez aí esteja o seu
desaparecimento.
Vamos
ao que interessa, vamos ao Google:
“Com base em registros antigos de
adágios e provérbios da língua portuguesa, a palavra endeis (forma
conjugada do verbo endear - colocar em uma grade, cercar, ou do
verbo endeusar, dependendo do contexto arcaico) aparece em provérbios
relacionados a abelhas, ovelhas e economia rural. “
Voltando-se
ao homem do campo, ao interior do RGS, às nossas origens, sabe-se que as
ovelhas precisam de muitos cuidados e um deles é encerrá-las à noite, por causa
dos predadores
Cuidados específicos
que, normalmente, elas, as ovelhas, ficam em um curral, protegidas por cercas
de arames.
Então,
o termo “endeis”, pende, neste contexto antigo, como proteção a criação, para
que procriem, sendo protegidas.
Vejamos:
estamos numa roda de amigos e alguém oferece balas de um pacote...todos se
servem e, restam apenas duas balas, quando o último vai se “lambuzar”, então
ele diz:
- Vou pegar uma bala e a outra, vamos
deixar de “endeis”.
Para
quê? Para que se procrie (as balas) e tenham muitas outras logo ali na frente.
Ou
seja, a última bala que ficou dentro do pacote, o “endeis”, não deixa de ser a “ovelha
madrinha”...a ovelha que chama as outras.
Balas
haverão de se procriarem no pacote...são os adágios populares, crendices,
estórias...é a maravilha dos folclores regionais.
Seria
isso mesmo?
-:-
MISCELÂNEA
Esta crônica contém informação e
opinião.
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