SERMOS FELIZES?
Beto Carretta
Achei esta frase por aí, nas redes sociais, aonde uma distraída leitura, pode nos trazer algum lenitivo para as coisas aceleradas que invadem nossos dias e, que, às vezes, mesmo não sendo das melhores, ajudam:
“Deus dá as batalhas mais difíceis aos seus melhores soldados”.
Tudo bem, é até verossímil, persuasível, válido, todavia, nem todos nós, seres críveis nas filosofias existentes e dada a autoria em nome do Criador, temos que acreditar e, vejam a resposta:
- “Acho que Ele me confundiu com o Rambo!”
Deixemos as tolices de lado, (ninguém é “guerreiro invencível”...), pois é preciso, às vezes ou sempre, parar um pouco e refletir sobre o peso que apoiam sobre nós mesmos.
Lutarmos por nós, eis o que é preciso...quem disse que damos conta de tudo?
Está mais do que claro que, em muitas oportunidades, é preciso ser egoísta, individualista, egocêntrico, e não está errado quem pensa em si, afinal de contas, quem busca a nossa felicidade, se não somos nós mesmos? O interesse em endereçar a felicidade, o amor, a paz e o sucesso, aos nossos intentos, muitas das vezes precisa estar dentro de nós, daí este egoísmo.
Todavia...Cuidado!
Ás vezes adoecemos emocionalmente porque fomos cultuados a sempre pensar no próximo, a tentar trazer a eles a felicidade, fazer a todo o mundo o bem, prósperos, jubilados, ao invés de nós mesmos.
E, deixem de ser pasmos, pois que não somos nenhum Rambo.
Apreciem estes dizeres:
“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: leve tudo o que é desnecessário.
Ando cansada de bagagens pesadas...
Daqui para frente apenas o que couber na bolsa e no coração.”
Cora Coralina
Estou bastante convicto com e em parceria desta escritora, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889–1985), e que foi uma aclamada poetisa, contista e doceira brasileira, reconhecida como uma das vozes mais autênticas da literatura nacional. Natural da Cidade de Goiás, publicou seu primeiro livro apenas aos 75 anos, destacando-se pela linguagem simples, temas do cotidiano, vida rural e oralidade, que carrega nesta profecia, bem mais verdades do que os “melhores” soldados da vida.
“...daqui para frente apenas o que couber na bolsa e no coração...”
Muitos, e não são poucos, se acham os incríveis guerreiros, os invencíveis, no entanto, seus ombros carregam pesadas arrecovas e, que, ao epílogo da caminhada terão seus reflexos negativos, como a angústia, o pesar, o esmorecimento e, o inevitável decesso.
Buscar nas batalhas mais difíceis, com seus modelares guerreiros, o quê? A paz, a tranquilidade de viver no amor e serenidade da vida finita?
Não, definitivamente EU não sou o Rambo....prefiro uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz...
Afinal de contas: ser feliz...os “melhores” guerreiros, os invencíveis soldados, nas árduas batalhas ou não ser o Rambo?
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