domingo, 8 de fevereiro de 2026

 


SERMOS FELIZES?

 

                                                                                                                                            Beto Carretta

 

Achei esta frase por aí, nas redes sociais, aonde uma distraída leitura, pode nos trazer algum lenitivo para as coisas aceleradas que invadem nossos dias e, que, às vezes, mesmo não sendo das melhores, ajudam:

“Deus dá as batalhas mais difíceis aos seus melhores soldados”.

Tudo bem, é até verossímil, persuasível, válido, todavia, nem todos nós, seres críveis nas filosofias existentes e dada a autoria em nome do Criador, temos que acreditar e, vejam a resposta:

- “Acho que Ele me confundiu com o Rambo!”

Deixemos as tolices de lado, (ninguém é “guerreiro invencível”...), pois é preciso, às vezes ou sempre, parar um pouco e refletir sobre o peso que apoiam sobre nós mesmos.

Lutarmos por nós, eis o que é preciso...quem disse que damos conta de tudo?

Está mais do que claro que, em muitas oportunidades, é preciso ser egoísta, individualista, egocêntrico, e não está errado quem pensa em si, afinal de contas, quem busca a nossa felicidade, se não somos nós mesmos?  O interesse em endereçar a felicidade, o amor, a paz e o sucesso, aos nossos intentos, muitas das vezes precisa estar dentro de nós, daí este egoísmo.

Todavia...Cuidado!

Ás vezes adoecemos emocionalmente porque fomos cultuados a sempre pensar no próximo, a tentar trazer a eles a felicidade, fazer a todo o mundo o bem, prósperos, jubilados, ao invés de nós mesmos.

E, deixem de ser pasmos, pois que não somos nenhum Rambo.

Apreciem estes dizeres:

“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: leve tudo o que é desnecessário.

Ando cansada de bagagens pesadas...

Daqui para frente apenas o que couber na bolsa e no coração.”

Cora Coralina

Estou bastante convicto com e em parceria desta escritora, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889–1985), e que foi uma aclamada poetisa, contista e doceira brasileira, reconhecida como uma das vozes mais autênticas da literatura nacional. Natural da Cidade de Goiás, publicou seu primeiro livro apenas aos 75 anos, destacando-se pela linguagem simples, temas do cotidiano, vida rural e oralidade, que carrega nesta profecia, bem mais verdades do que os “melhores” soldados da vida.

“...daqui para frente apenas o que couber na bolsa e no coração...”

Muitos, e não são poucos, se acham os incríveis guerreiros, os invencíveis, no entanto, seus ombros carregam pesadas arrecovas e, que, ao epílogo da caminhada terão seus reflexos negativos, como a angústia, o pesar, o esmorecimento e, o inevitável decesso. 

Buscar nas batalhas mais difíceis, com seus modelares guerreiros, o quê? A paz, a tranquilidade de viver no amor e serenidade da vida finita?

Não, definitivamente EU não sou o Rambo....prefiro uma casa no campo, onde eu possa ficar do tamanho da paz...

Afinal de contas: ser feliz...os “melhores” guerreiros, os invencíveis soldados, nas árduas batalhas ou não ser o Rambo?

-:-

AGENDA

Esta crônica contém opinião e informação.

Direitos Reservados na Lei 9610/98.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026


EU NÃO VOU...NÃO VOU!!

Por: Beto Carretta


Acho que ninguém gosta de ir.


Dizem que existem pessoas que gostam, que acham que é um programa, além, é claro, de uma obrigação, um compromisso de prestar solidariedade, naturalmente.


Conheço um cara que, disse e diz, claramente, que não vai, que não gosta de ir e, que, decididamente não precisam ir no dele.


Não deixa de ser uma convicção sua e, que, sem sombra de dúvidas temos que aceitar, afinal de contas, como havia dito na coluna da semana passada: cadum, cadum...


Vamos e convenhamos, hoje o assunto não tem nada de tétrico, de lúgubre e, muito menos triste, pois que tratamos de compromissos, responsabilidades, eventos e, tantas outras efemérides que vocês possam definir, sendo que no final, o enredo é extremamente divertido.


Sim, estamos falando de velórios...vejam uma bela definição:


“A palavra velório deriva do verbo "velar" (do latim vigilare, "vigiar, cuidar") e está ligada à antiga prática de vigiar o corpo do falecido, que era iluminada por velas para confirmar o óbito e prestar as últimas homenagens, já que antigamente era difícil distinguir um sono profundo de uma morte real, especialmente com o uso de utensílios de estanho que causavam desmaios, e a ausência de luz elétrica.”


Dito isso, ainda na semana passada me contaram um fato bastante hilário a respeito do assunto, donde um grande amigo meu, ao ser interpelado se iria em tal evento fúnebre e de um seu parceiro, disse, peremptóriamente, de que não iria.


Como se tratava de pessoa conhecida dele, os seus amigos, a princípio, ficaram bastante intrigados, outros até indignados.


Mas, afinal de contas, qual o motivo da negação de sua presença no velório?


Tem coisa aí?


Tinham algum atrito, uma desavença, alguma dívida, uma pedra no caminho...o que estava se passando?


Conversa daqui, conversa dali, papo vem, papo vai e a pergunta voltava:


- E daí, tchê, tu não vais mesmo no velório do teu amigo?


 E a resposta vinha forte, alta, clara e dura: NÃO! NÃO VOU!


- Tchê, como que não, o cara era teu comparsa...!?!


Cruzes, sei lá... mas, este meu amigo estava totalmente convicto de que não iria, todavia, o motivo não deixava de ser uma grande incógnita, até que num certo momento, alguém tomou coragem e perguntou, também forte e claro:


- Sem mais delongas, Fulano, afinal de contas, por que tu não vais no velório do teu amigo? – quase que inquirindo o parceiro, como num julgamento extremamente sério e, também,  sua falta de solidariedade.


Sem demora, sem nenhuma dúvida e a resposta veio calma, serena, leve e límpida, simples assim:


- Eu não vou no velório dele, NÃO VOU, porque ele também não vai ir no meu!!


Quer mais ou está bom prá ti...??


-:-

Esta crônica  contém informação e opinião.

Direitos Reservados na Lei 9610/98.